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Artigos de Inês Patrício, Berlim
As cápsulas

[Sete Partidas]

As cápsulas

No radio do carro tocava um CD da Rosalía e comecei a pensar no que já me disseram sobre o meu carro, pequeno e velho, dito em várias variações. Não levo a mal. É verdade, mas tem tudo o que preciso. Abrigo do sol, do frio, da chuva e da neve. Confiável. Riscado e muitas vezes sujo por fora, mas por dentro limpo e arrumado. Um pouco na ordem como valorizo as coisas na vida. Menos ostentação, mais conteúdo. [Texto de Inês Patrício, Berlim].

A sala vermelha

[Sete Partidas]

A sala vermelha

É sempre uma incógnita. Ao marcar o código da porta nunca sei como vão correr aquelas conversas. Trata-se de doença, de prosseguir ou não com o diagnóstico. De limitação de cuidados. De morte. Mas também de qualidade de vida, de controlo de sintomas, de acompanhamento, de aceitação. [Texto de Inês Patrício, Berlim]

A posição e a função

[Sete Partidas]

A posição e a função

Uma posição abriu. Uma pessoa candidata-se a uma posição. A pessoa tem uma posição. A pessoa quer subir de posição. Esta é uma nomenclatura que não existiu na minha infância. Os adultos tinham um trabalho. No trabalho trabalhavam. Os pais tentavam ir aproximando-se de casa, mudando o local de trabalho, de escola no caso. O trabalho era necessário, nem sempre agradável, mas estruturador da vida e da sociedade. [Texto de Inês Patrício].

Eficiência e ócio

Sete Partidas

Eficiência e ócio

Uma música instrumental. Ou sem música nenhuma. Talvez apenas uma parte de música que só toca dentro de mim. Deitada a olhar para o teto. Deitada a olhar para a copa de enormes árvores, melhor. Sentada numa sala à espera, sem janelas. Pode ser. Dá. Mais saboroso é a olhar uma vista bonita, parada. [Texto de Inês Patrício].

Só Senhores

Só Senhores

Estávamos a falar de Alá, a andar de bicicleta. Do pouco que sei. Ela perguntou, nos seus curiosos 6 anos: Mãe, porque é que não há mulheres como Jesus, Alá e Buda? Porque é que são só senhores? Uma interrupção no caminho não deu hipótese a uma resposta. Fiquei à procura de uma, justa, mas não arrasadora, para voltar à conversa. [Texto de Inês Patrício, Berlim].

O Ridículo e o decente

O Ridículo e o decente

O exercício era fazer rir. Não contar piadas, não preparar graças, não preparar o que quer que fosse. Era fazer rir, querer ser gostado, procurar muito, muito, ser gostado. E sempre, olhar, perceber as reações e respeitar o público. Foi um Workshop de Clown, num grupo de Teatro Universitário. Tão importante que foi. [Texto de Inês Patrício, Berlim]

Cuidar a escola

Cuidar a escola

Filha de professores, me confesso. A minha mãe, a vida profissional inteira. O meu pai, alguns anos, marcantes. Pequena, ainda na primária, chegaram a proibir-me de dizer mal da escola. Recentemente, disseram-me que, em muitas coisas, eu tinha razão. Mas era um exagero. Se queria falar teria de encontrar coisas boas para dizer. Lembro-me bem disso. Ainda bem. [Texto de Inês Patrício, Berlim].

Perguntas

Perguntas

“Calhou hoje termos andado alguns quilómetros de carro. Sem falar, a ouvir boa música para crianças. Eu a pensar… Oiço-a dezenas de vezes ao dia perguntar “que é isto mãe, que é isto?” A frase é sempre a mesma. Na maior parte das vezes é tudo curiosidade. Mas também há vezes em que a entoação é já de perplexidade e até de indignação. Conclui que era bom que nós fossemos mais capazes de manter estas perguntas e estas entoações.” [Texto de Inês Patrício]

As cápsulas

[Sete Partidas]

As cápsulas

No radio do carro tocava um CD da Rosalía e comecei a pensar no que já me disseram sobre o meu carro, pequeno e velho, dito em várias variações. Não levo a mal. É verdade, mas tem tudo o que preciso. Abrigo do sol, do frio, da chuva e da neve. Confiável. Riscado e muitas vezes sujo por fora, mas por dentro limpo e arrumado. Um pouco na ordem como valorizo as coisas na vida. Menos ostentação, mais conteúdo. [Texto de Inês Patrício, Berlim].

A sala vermelha

[Sete Partidas]

A sala vermelha

É sempre uma incógnita. Ao marcar o código da porta nunca sei como vão correr aquelas conversas. Trata-se de doença, de prosseguir ou não com o diagnóstico. De limitação de cuidados. De morte. Mas também de qualidade de vida, de controlo de sintomas, de acompanhamento, de aceitação. [Texto de Inês Patrício, Berlim]

A posição e a função

[Sete Partidas]

A posição e a função

Uma posição abriu. Uma pessoa candidata-se a uma posição. A pessoa tem uma posição. A pessoa quer subir de posição. Esta é uma nomenclatura que não existiu na minha infância. Os adultos tinham um trabalho. No trabalho trabalhavam. Os pais tentavam ir aproximando-se de casa, mudando o local de trabalho, de escola no caso. O trabalho era necessário, nem sempre agradável, mas estruturador da vida e da sociedade. [Texto de Inês Patrício].

Eficiência e ócio

Sete Partidas

Eficiência e ócio

Uma música instrumental. Ou sem música nenhuma. Talvez apenas uma parte de música que só toca dentro de mim. Deitada a olhar para o teto. Deitada a olhar para a copa de enormes árvores, melhor. Sentada numa sala à espera, sem janelas. Pode ser. Dá. Mais saboroso é a olhar uma vista bonita, parada. [Texto de Inês Patrício].

Só Senhores

Só Senhores

Estávamos a falar de Alá, a andar de bicicleta. Do pouco que sei. Ela perguntou, nos seus curiosos 6 anos: Mãe, porque é que não há mulheres como Jesus, Alá e Buda? Porque é que são só senhores? Uma interrupção no caminho não deu hipótese a uma resposta. Fiquei à procura de uma, justa, mas não arrasadora, para voltar à conversa. [Texto de Inês Patrício, Berlim].

O Ridículo e o decente

O Ridículo e o decente

O exercício era fazer rir. Não contar piadas, não preparar graças, não preparar o que quer que fosse. Era fazer rir, querer ser gostado, procurar muito, muito, ser gostado. E sempre, olhar, perceber as reações e respeitar o público. Foi um Workshop de Clown, num grupo de Teatro Universitário. Tão importante que foi. [Texto de Inês Patrício, Berlim]

Cuidar a escola

Cuidar a escola

Filha de professores, me confesso. A minha mãe, a vida profissional inteira. O meu pai, alguns anos, marcantes. Pequena, ainda na primária, chegaram a proibir-me de dizer mal da escola. Recentemente, disseram-me que, em muitas coisas, eu tinha razão. Mas era um exagero. Se queria falar teria de encontrar coisas boas para dizer. Lembro-me bem disso. Ainda bem. [Texto de Inês Patrício, Berlim].

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“Calhou hoje termos andado alguns quilómetros de carro. Sem falar, a ouvir boa música para crianças. Eu a pensar… Oiço-a dezenas de vezes ao dia perguntar “que é isto mãe, que é isto?” A frase é sempre a mesma. Na maior parte das vezes é tudo curiosidade. Mas também há vezes em que a entoação é já de perplexidade e até de indignação. Conclui que era bom que nós fossemos mais capazes de manter estas perguntas e estas entoações.” [Texto de Inês Patrício]

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