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Igreja de Inglaterra reconhece

“Estamos profundamente divididos nas questões sexuais e de género”

| 15/02/2026

O Sínodo Geral da Igreja de Inglaterra (Comunhão Anglicana), realizado na última semana em Londres, acabou profundamente dividido quanto ao projeto “Vivendo em Amor e Fé” (LLF, da sigla em inglês), iniciado em 2023, relativo à pastoral dos relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo.

Na sequência de um debate de perto de cinco horas em torno da moção apresentada pelo arcebispo de Iorque, Stephen Cottrell, e de várias propostas de emendas que foram derrotadas, ficou de pé a criação de um novo grupo de trabalho sobre “relacionamentos, sexualidade e género”, para dar continuidade à exploração dos relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo na Igreja, e que deve apresentar resultados até julho deste ano.

O arcebispo Cottrell foi enfático, dando conta do impasse, logo no início do debate, ao declarar: “Esta tem sido e continua a ser uma longa jornada. Estamos profundamente divididos sobre isso; mais divididos do que imaginávamos ou admitíamos. Há mágoa de todos os lados.”

O arcebispo pediu perdão a todas as pessoas e grupos que se sentem atingidos com esta situação de impasse, nomeadamente à comunidade LGBTQI+, observando que “a Bíblia diz-nos que quando um de nós sofre, todos sofremos”.

A moção original submetida a votação era originária da Câmara dos Bispos, mas contou com o apoio, ainda que bastante menos significativo, das outras duas câmaras (presbíteros e leigos). Assim, entre os bispos, 34 votaram a favor, nenhum contra e houve duas abstenções. Entre os padres, 109 votaram a favor, 62 contra, 10 abstenções. Finalmente, dos Leigos 109 estiveram a favor, 70 contra, 9 abstenções. Já nas votações das emendas, a clivagem entre bispos, por um lado, e padres e leigos, por outro foi mais evidente. Acontece que, nas votações, uma decisão só passa se contar com maioria de votos em todas as câmaras.

Este tema tem mais de dez anos e, em mais de um momento, a Câmara dos bispos tentou fechar o assunto, argumentando que o consenso não se mostrava possível, havendo um setor que pretendia radicalizar o processo no sentido de uma Igreja totalmente inclusiva e, no polo oposto, um outro setor para quem a questão da sexualidade só poderia ser assumida, no interior da Igreja, no quadro do casamento entre uma mulher e um homem.

Em 2023, depois de muito discernimento, de consultas e de várias publicações, conseguiu-se pôr em marcha o programa LLF, um tempo de experiência, nomeadamente com as bênçãos de casais homossexuais em privado, enquanto prosseguiam os estudos e debates de natureza teológica e pastoral, que agora terminou.

Eventualmente para evitar uma reação da parte do Sínodo Geral de não aceitação da posição dos bispos, como aconteceu já em 2017, a respetiva Câmara decidiu propor que um grupo de trabalho prosseguirá com o trabalho de aprofundamento da questão.

Entretanto, decorrem já, na Igreja de Inglaterra, as movimentações com vista à eleição de uma nova composição do Sínodo Geral, dado estar prestes a terminar o mandato de cinco anos atual. As várias sensibilidades representadas neste órgão acreditam poder contar com novas condições num futuro a médio prazo, para voltarem a recolocar o assunto na agenda.

 

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