O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que o Departamento de Defesa (ou da Guerra, como ele o renomeou) já não transmitirá em directo o fuzilamento de Nidal Malik Hasan, o militar de Fort Hood (Texas) que em 5 de novembro de 2009 matou 13 camaradas de armas, alegando que queria evitar que fossem para o Afeganistão combater contra os seus irmãos muçulmanos.
Depois de anunciada a intenção de transmitir em directo a execução do ex-major, a decisão foi vivamente criticada quer por políticos democratas e republicanos (do partido de Trump), quer por líderes religiosos, como o 7MARGENS noticiou.
O próprio vice-presidente J.D. Vance, que se afirma como católico, afirmou a jornalistas que, se tal acontecesse, ele não iria ver. Mas vários bispos reagiram com veemência à decisão de Trump. O presidente da Conferência Episcopal dos Estados Unidos condenou a decisão de transmitir a execução em directo: o arcebispo Paul S. Coakley disse que tal seria “uma promoção bárbara de uma cultura da morte e deve ser reconsiderada”.
Nesta quinta-feira, 15, ao anunciar a reversão da medida, Trump ainda escreveu nas redes sociais que a transmissão pública da execução “poderia ter sido um forte elemento dissuasor para o mundo, ao testemunhar como os Estados Unidos lidam com terroristas e escória como Hasan”.
Mas, acrescentou, citado no Crux, “muitas pessoas muito boas e bem-intencionadas preferem não vê-lo morrer, seja através de transmissão em directo, seja através de qualquer outro meio visual”. E por isso tal já não acontecerá, mas os familiares directos das vítimas podem assistir presencialmente, “se assim o desejarem”, acrescentou Trump. A morte por fuzilamento de Nidal Hasan está marcada para 3 de Dezembro.
Tinha sido o secretário da Defesa, Pete Hegseth, a anunciar no início do mês que a execução de Hasan seria pública, tendo depois o seu departamento confirmado que seria transmitida em directo. Muitos dos que criticaram a decisão, recorda o Crux, afirmaram que as imagens poderiam ser utilizadas para alimentar a radicalização.
Agora, o porta-voz principal do Pentágono, Sean Parnell, ainda segundo a mesma fonte, afirmou que Trump e Hegseth discutiram o abandono dos planos de transmissão em directo e só depois é que Trump o anunciou nas redes sociais. De qualquer modo, “o secretário apoia a decisão do Presidente, e ambos estão totalmente alinhados”, acrescentou o porta-voz.
Nos EUA, já não havia uma execução de qualquer militar por fuzilamento desde a Segunda Guerra Mundial. A última execução militar ocorreu a 13 de abril de 1961, quando o soldado do Exército John Bennett foi morto por enforcamento.










