Ignacio Ding Zuyao foi ordenado esta quinta-feira, 15 de outubro, bispo de Haimen, na província chinesa de Jiangsu, depois de Leão XIV ter aprovado a sua candidatura no âmbito do Acordo Provisório entre a Santa Sé e a República Popular da China. Esta é a nona ordenação episcopal realizada na China durante o atual pontificado segundo os procedimentos previstos pelo acordo firmado entre Roma e Pequim.
A ordenação do novo bispo, de 40 anos, realizou-se na Catedral do Bom Pastor, em Nantong, e foi presidida por Joseph Shen Bin, bispo de Xangai e bispo emérito de Haimen. Participaram na celebração cerca de 400 pessoas, entre padres, religiosas e leigos, segundo a agência Fides.
A Santa Sé anunciou a ordenação no próprio dia, revelando que Leão XIV tinha nomeado Ding Zuyao bispo de Haimen em 24 de agosto, “tendo aprovado a sua candidatura no âmbito do Acordo Provisório entre a Santa Sé e a República Popular da China”.
O procedimento segue o modelo que tem sido adotado nos últimos anos para as nomeações episcopais na China, cujo anúncio pelo Vaticano coincide frequentemente com a ordenação ou a tomada de posse dos novos bispos.
Ding Zuyao nasceu em agosto de 1986 em Qidong, também na província de Jiangsu. Entre 2001 e 2004 estudou na secção de Jiangsu do Seminário de Sheshan, em Xangai, prosseguindo depois os estudos de Filosofia e Teologia no Seminário Teológico de Pequim, onde concluiu o bacharelato.
Ordenado padre para a diocese de Haimen em 27 de outubro de 2011, desenvolveu desde então o seu ministério pastoral em várias paróquias da diocese. Foi pároco em Haimenzhen, entre 2012 e 2013, em Linjiang, de 2013 a 2017, e em Caojiazhen, entre 2017 e 2023. Desde fevereiro de 2023 era pároco de Qingnian Donglu, em Nantong.
19 bispos desde o acordo de 2018
Com a ordenação de Ding Zuyao, sobe para 19 o número de bispos católicos chineses ordenados em plena comunhão com o Papa ao abrigo do acordo sobre a nomeação de bispos, segundo a Fides, agência das Obras Missionárias Pontifícias.
O acordo foi assinado pela primeira vez em 22 de setembro de 2018, durante o pontificado de Francisco, com o objetivo de enfrentar uma das questões mais delicadas das relações entre a Santa Sé e Pequim: a nomeação dos bispos católicos num país onde durante décadas coexistiram comunidades reconhecidas pelas autoridades e comunidades católicas que recusavam o controlo estatal.
O conteúdo do acordo permanece reservado. Foi renovado por períodos de dois anos em 2020 e 2022 e, em outubro de 2024, a Santa Sé e a China decidiram prolongá-lo por mais quatro anos, até 2028.
Na altura, o Vaticano afirmou pretender continuar “o diálogo respeitoso e construtivo” com as autoridades chinesas, tendo em vista o desenvolvimento das relações bilaterais “para o bem da Igreja Católica no país e de todo o povo chinês” [ver 7MARGENS].
A sucessão de ordenações episcopais desde a eleição de Leão XIV mostra que o novo Papa decidiu manter a linha seguida pelo seu antecessor. Ding Zuyao sucede, entre outros, a Andrea Ding Yang, ordenado em 8 de setembro arcebispo de Chongqing, também depois de a sua candidatura ter sido aprovada pelo Papa no quadro do acordo provisório.
A Fides sublinha ainda que todo o processo que conduziu à nomeação e ordenação de Ding Zuyao, “desde as suas primeiras fases”, decorreu já durante o pontificado de Leão XIV.
A ordenação aconteceu enquanto o Papa permanece internado no Hospital Gemelli, em Roma, recuperando da cirurgia a que foi submetido na terça-feira para remoção do lobo inferior do pulmão direito, depois de lhe ter sido diagnosticado um adenocarcinoma pulmonar. O Vaticano informou esta quinta-feira que a recuperação pós-operatória está a decorrer normalmente e que o pulmão operado apresenta uma boa evolução.










