AGENDA

SOBRE NÓS

ASSINAR

APOIAR

Forças Armadas Portuguesas
Imagem de arquivo de exercícios das Forças Armadas Portuguesas no Campo Militar de Santa Margarida, Constância, em 2015. Foto © Allied Joint Force | Wikimedia Commons

Confederação do setor denuncia

Governo utiliza abusivamente o termo ‘voluntariado’ no recrutamento para as Forças Armadas

| 31/07/2026

 

A Confederação Portuguesa do Voluntariado (CPV) manifestou “profunda preocupação” pela utilização que o Governo está a fazer do conceito de “voluntariado” no âmbito dos recentes programas de recrutamento para as Forças Armadas, na medida em que entende que o termo está a ser desvirtuado, confundindo a opinião pública.

Em carta aberta “ao Governo de Portugal – pela defesa da identidade e do quadro legal do voluntariado” – dirigida ao primeiro ministro e ao ministro da Defesa, a que o 7MARGENS teve acesso, aquela Confederação começa por “reconhecer a urgência de atrair jovens para as fileiras da Defesa Nacional”, mas faz notar que a terminologia adotada, além de desvirtuar o conceito, colide com o quadro jurídico vigente em Portugal.

Procurando fundamentar esta convicção, a carta aberta salienta, desde logo, que o voluntariado “assenta na gratuitidade, no altruísmo, na solidariedade social e na prática dos direitos e deveres de cidadania”, ao passo que o programa de recrutamento militar anunciado “introduz fortes incentivos materiais, tais como compensações financeiras diretas, prémios e a oferta da carta de condução”.

Esta associação do termo “voluntariado” a remunerações e benefícios contratuais “esvazia o valor humano e o desinteresse material que definem o ato voluntário puro”, queixa-se a Confederação, que afirma integrar, direta ou indiretamente, dezenas de milhares de organizações promotoras ou enquadradoras de voluntariado e mais de um milhão de pessoas voluntárias em todo o país, em áreas tão diversas como o associativismo, a solidariedade, a cultura, o desenvolvimento, a proteção civil ou o desporto.

Relativamente à incompatibilidade jurídica com o que dispõe a lei portuguesa do voluntariado (Lei n.º 71/98), a missiva observa que este diploma se refere a “iniciativas de interesse social e comunitário, sem fins lucrativos ou de cariz profissional”, enquanto o serviço nas Forças Armadas, “constitui uma atividade inserida na esfera da soberania do Estado, com deveres de obediência e subordinação jurídica estritos, incompatíveis com o estatuto e a liberdade inerentes à pessoa voluntária civil”.

A CPV entende que se torna necessário fazer “uma pedagogia pública urgente” em ordem a tornar claro que “adesão voluntária”, de livre iniciativa e escolha própria, não pode ser considerado “voluntariado”, visto que este assenta na doação de tempo e competências “em prol do bem comum, sem lógica de emprego ou troca mercantil”.

“As Forças Armadas necessitam de profissionais motivados através de uma ‘adesão voluntária’ a uma carreira digna. Chamar-lhe ‘voluntariado’ cria um precedente perigoso que menoriza o terceiro setor e os milhares de pessoas que servem o país de forma verdadeiramente benemérita”, acrescenta o texto da carta aberta.

A missiva, assinada pelo presidente da Direção da Confederação, Eugénio Cruz da Fonseca, solicita ao Governo que preserve a integridade da Lei do Voluntariado e que substitua no programa de recrutamento, a palavra “voluntariado” por expressões como “Regime de Adesão Voluntária” ou “Contrato de Prestação de Serviço Militar”. Isso garantirá que as políticas públicas “respeitam a fronteira entre o emprego/carreira e a ação solidária”.

 

Últimas Notícias

Últimas Notícias

Uma Igreja sinodal não se fica pela consulta

Portugueses no simpósio europeu

Uma Igreja sinodal não se fica pela consulta

“Uma Igreja verdadeiramente sinodal não é apenas uma Igreja que consulta, mas uma Igreja que, em comunhão, discerne caminhos e assume responsabilidades”, escrevem os quatro membros da Equipa Sinodal da Conferência Episcopal Portuguesa como balanço da sua participação no simpósio europeu que decorreu entre 14 e 17 de setembro de 2026, em Wels, cidade situada perto de Linz (Áustria).

Padre assassinado a tiro no México, bispos exigem investigação

Região marcada por violência

Padre assassinado a tiro no México, bispos exigem investigação

O padre Román de la Cruz Hernández, pároco de Santa Cruz, em Huejutla, no estado mexicano de Hidalgo, foi assassinado a tiro, tendo o seu corpo sido encontrado junto a uma estrada, com ferimentos provocados por arma de fogo. A Conferência do Episcopado Mexicano (CEM) manifestou “indignação e tristeza” com o sucedido e pediu uma investigação exaustiva para esclarecer o crime.

Como matar um Dragão

[Arquipélago Jerusalém]

Como matar um Dragão

Começam hoje, 18 de setembro, as eleições para a Duma russa, num país onde a guerra condiciona a vida política e onde o Kremlin procura impedir que o descontentamento se transforme em alternativa. Para situarmos estas eleições, nada melhor do que repetir uma anedota dos tempos soviéticos. [Texto de Mendo Castro Henriques].

7MARGENS é um jornal digital
de Religiões, Espiritualidades e Culturas

Propriedade de Associação Porta 18 [ACSFL]
R. da Páscoa, 12 – R/C Dtº – 1250-179 Lisboa | NIPC: 514 876 905
Redação Lisboa: Largo da Luz, 11, 1600-764 LISBOA
IBAN: PT50 0035 0675 0004 6941 7308 1 (CGD)

O 7MARGENS aceita e incentiva a colaboração escrita, em vídeo ou audio dos seus leitores.
Reserva-se o direito de os difundir ou não e aconselha que os textos não excedam os 4.000 caracteres.

Pin It on Pinterest

Share This