Dezenas de milhar de pessoas deslocadas foram ilegalmente forçadas a abandonar os campos ao redor de Goma, capital provincial de Kivu, na República Democrática do Congo, onde se encontravam aglomeradas. A ordem foi dada no último fim de semana pelo grupo armado M23, apoiado pelo Ruanda, segundo denunciou a organização Human Rights Watch (HRW).
Na sequência da tomada do controlo daquela cidade, em finais de dezembro, os deslocados viram-se de um momento para o outro perante a escassez ou mesmo ausência de ajuda humanitária, razão pela qual muitos tentaram regressar às aldeias de origem ou procurar refúgio em Goma. A ordem de abandono da zona num prazo de 72 horas foi dada aos líderes dos campos, no dia 9 de fevereiro.
Uma investigadora sénior da divisão África da HRW, Clémenyine Montjoye, classificou esta remoção de dezenas de milhar de pessoas deslocadas para áreas sem apoio “é cruel e um possível crime de guerra”, sugerindo que o Ruanda e outros países com influência sobre o M23 deveriam “pressionar o grupo armado a mudar de rumo imediatamente”. No entanto, a organização não governamental também reconhece que o desmantelamento de campos tem sido prática do grupo noutras zonas ocupadas.
Informações recolhidas no terreno dão, entretanto, conta, de que, sem condições para circular nem destino para onde ir, muitos milhares de deslocados desocupam um campo quando o M23 se aproxima, mas voltam a ocupá-lo pouco depois.
Os combates na região de Goma envolvendo o M23 e forças ruandesas contra os militares congoleses e milícias aliadas têm desestruturado ou mesmo interrompido a ação de instituições humanitárias, devido ao saque de armazéns. Por outro lado, o aeroporto de Goma está encerrado, desde que as autoridades do país perderam o seu controlo.
Perante a situação, a HRW defende que as Nações Unidas, órgãos regionais e doadores devem pressionar o Governo ruandês e o M23 para garantir a saúde e o bem-estar da população nos territórios que controlam, facilitando o acesso à ajuda humanitária e garantindo a livre movimentação de trabalhadores humanitários.
(Foto de destaque: Populações em fuga dos ataques no Kivu Norte, Congo, em 2023: a violência continua a marcar a região e as populações são obrigadas a fugir permanentemente dos ataques. Foto: Direitos reservados)
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