
A Organização Mundial de Saúde declarou, no dia 14 de agosto, a varíola como uma emergência de saúde pública de âmbito internacional. Foto © Pixabay
As igrejas em África mantêm-se em alerta à medida que a doença da varíola se espalha em algumas partes do continente, situação que já levou as organizações internacionais de saúde a declarar a doença uma emergência sanitária, noticia o Conselho Mundial de Igrejas, num comunicado enviado ao 7MARGENS. Estas decisões surgem depois de um surto da doença se ter verificado na República Democrática do Congo, onde se registaram 15 600 infeções e 537 mortes.
No passado dia 14 de agosto, a Organização Mundial de Saúde declarou a doença como uma emergência de saúde pública de âmbito internacional. Um dia antes, o Centro Africano de Controlo e Prevenção das Doenças (CDC) declarou a varíola uma emergência de saúde pública.
As decisões surgem na sequência de um surto na República Democrática do Congo, onde se registaram 15 600 infeções e 537 mortes. Pelo menos 15 países africanos, incluindo o Burundi, o Uganda, o Ruanda e o Quénia, notificaram casos e reforçaram a vigilância. Fora de África, a Suécia, o Paquistão e as Filipinas comunicaram casos da nova estirpe, que se está a propagar cada vez mais rapidamente.
“É uma preocupação para nós, enquanto setor religioso. Estamos à espera que o CDC África e a Organização Mundial de Saúde nos deem uma orientação”, afirmou Nkatha Njeru, diretora executiva da Plataforma das Associações Cristãs de Saúde de África, uma organização com membros em 30 países africanos. “No geral, a nosso nível, continuamos a monitorizar a situação. Estamos a falar com os nossos países e continuamos a indicar-lhes todas as informações que recebemos”, acrescentou.
A varíola, anteriormente conhecida como varíola dos macacos, é uma doença viral causada pelo vírus da varíola do macaco e pertence à mesma família da varíola.
Os cientistas descobriram a doença em 1958, na sequência de um surto semelhante à varíola em macacos mantidos para investigação na Dinamarca. Em 1970, os cientistas encontraram o primeiro caso humano num bebé de nove meses na República Democrática do Congo. Um surto global anterior ocorreu em 2022 e 2023.
O vírus Mpox pode ser transmitido aos seres humanos através do contacto físico com uma pessoa infetada, com materiais contaminados ou com animais infetados. As mulheres grávidas também podem transmitir a doença aos seus fetos.
A doença tem sido recorrente na República Democrática do Congo devido às condições climatéricas da floresta tropical, e o conflito que deslocou pessoas para campos de refugiados exacerbou a situação.
Crianças estão especialmente em risco
“As crianças estão especialmente em risco quando vivem em campos de refugiados, em aglomerados urbanos sobrelotados e onde existe desnutrição, falta de água potável e de saneamento e serviços de saúde deficientes”, referiu Aline Napon, diretora nacional da World Vision.
Esta responsável apelou a uma resposta internacional imediata, incluindo a partilha de mensagens de saúde precisas. “Isto é crucial para reduzir a desinformação e o estigma e garantir que todos estejam bem informados sobre a situação. A experiência da World Vision no combate ao Ébola e à COVID em situações humanitárias diz-nos que não há tempo a perder”, afirmou Napon.
Ao mesmo tempo, Njeru disse que, “após a COVID, houve esforços deliberados para garantir que as respostas fossem corretas”. “A mesma coisa que fizemos com a COVID, as mesmas instruções e informações que a OMS nos deu, é que esta varíola é contraída através do contacto. Devemos tentar tomar precauções semelhantes às que tomámos em relação ao contacto”, disse.
Os líderes das igrejas que passaram pela pandemia da COVID-19 recordam que as orientações governamentais desaconselhavam o contacto não essencial e promoviam a boa higiene.
O bispo Johnes Ole Meliyio, da Igreja Evangélica Luterana do Quénia, disse que ainda não tinham chegado a uma situação de precauções adicionais, como manter a distância social e usar máscaras, mas as igrejas estão a tomar precauções simples. “Por enquanto, tudo decorre normalmente, mas estamos em alerta”, disse ele. “Estamos a dizer às pessoas que tenham cuidado, que respeitem a limpeza e que, se alguém encontrar ou vir sinais de varíola, que o comunique às igrejas, às autoridades ou aos hospitais”.










