
Charles-Eugène Magnin foi o braço direito direito do irmão Roger com a tarefa do secretariado até o fundador de Taizé morrer, em 2005. Foto: Direitos reservados
Foi um dos artífices da realização do encontro europeu de jovens promovido pela comunidade de Taizé em Lisboa, no final de 2004, tendo em conta o seu papel de assegurar o secretariado da comunidade e do seu fundador, o irmão Roger. Charles-Eugène Magnin, que entrou na Comunidade de Taizé em 1958, “morreu pacificamente em Taizé na noite de 3 para 4 de dezembro de 2024, na sequência de uma longa doença”, aos 86 anos, anunciaram na altura os monges da comunidade ecuménica da Borgonha, a cerca de 100 quilómetros a norte de Lyon.
Presença sempre discreta e afável, Charles-Eugène nasceu em 1938 em Saint-Sulpice (Neuchâtel, Suíça) e passou a integrar o então ainda pequeno grupo de irmãos de Taizé em 1958, quando era um jovem estudante de Teologia. Continuou a estudar, vivendo entre a sua nova comunidade e a cidade de Neuchâtel. Ainda nessa fase, informa a nota da comunidade, colaborou na investigação do seu professor Jean-Louis Leuba sobre os concílios ecuménicos no pensamento dos Reformadores.
Em 1961, instalou-se definitivamente na pequena colina de Taizé e fez o compromisso para o resto da vida na Comunidade. Mesmo assim, em 1962, esteve ainda a fazer um estágio de meio ano na paróquia da colegial de Neuchâtel, antes de ser consagrado pastor (protestante) em 1963, em Le Locle.
Foi, desde esse tempo, o braço direito direito do irmão Roger com a tarefa do secretariado até o fundador de Taizé morrer, em 2005. Nesse lugar, esteve com o prior de Taizé durante as sessões do II Concílio do Vaticano (1962-65), e nas visitas anuais que ele fazia aos papas Paulo VI e João Paulo II. Também acompanhou o irmão Roger e uma equipa intercontinental de jovens em Calcutá (Índia), Hong Kong, Nairobi (Quénia) e Temuco (Chile), no final da década de 1970, colaborando na redacção das diferentes cartas anuais para serem meditadas e debatidas durante os encontros de Taizé.
Os seus irmãos consideram-no “a memória viva” da comunidade e foi dele a responsabilidade pela edição dos dez volumes da colecção “Escritos do irmão Roger, fundador de Taizé”, publicados entre 2011 e 2023. Apesar de, nos últimos anos da sua vida, ter lutado contra a doença, “continuou a empenhar-se plenamente na vida da comunidade”, diz a nota de obituário. “Participou no acolhimento dos refugiados yazidi, trabalhou no jardim de ervas e no ateliê de chás e acompanhou a publicação do livro Através da Cortina de Ferro, que relata as ligações de Taizé aos cristãos dos países da Europa de Leste daquela época.”
Na comunidade, foi também um dos irmãos que, ao longo dos anos, acompanhava mais proximamente as pessoas que ali iam para fazer retiro, os voluntários e os irmãos da comunidade. “O irmão Charles-Eugène tinha o dom de encorajar os outros. O seu corpo estava cansado da doença, mas a sua mente esteve alerta até ao último dia da sua vida”, notam os irmãos. E, apesar do seu “conhecimento incomparável da história de Taizé, não estava tingido de nostalgia: envolvia-se sempre inteiramente nas novas etapas que a Comunidade ia percorrendo”.
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