O pároco de Marghera (Veneza, Itália), ativista pela paz e autor do livro Sob o Céu de Gaza, foi detido no aeroporto de Tel Aviv (Israel), onde se encontrava com um grupo de 15 pessoas para uma peregrinação liderada pelo arcebispo Giovanni Ricchiuti, presidente do movimento católico internacional Pax Christi. Ao contrário dos restantes peregrinos, o padre Nandino Capovilla acabou por ser deportado para Itália.
“Estávamos numa das nossas peregrinações pela justiça”, explicou o padre Capovilla numa conferência de imprensa dada na manhã desta quarta-feira, 13 de agosto, no salão da sua paróquia, horas depois de ter sido forçado a regressar a casa. Tratava-se de uma peregrinação “daquelas que nos convidam a não fechar os olhos, onde não visitamos apenas as pedras mortas, mas as vivas. Vamos a campos de refugiados, a paróquias, ouvimos, juntamo-nos às denúncias. (…) A escolha é muito clara: não permanecer em silêncio sobre as possibilidades do movimento não violento”, detalhou.
A detenção aconteceu pouco após o grupo ter aterrado no aeroporto Ben Gurion na segunda-feira, 11, e foi justificada pelas autoridades israelitas com o facto de o padre representar “um perigo para a segurança ou a ordem pública”. “Fui privado da minha liberdade pessoal por sete horas e depois expulso por representar um perigo para a segurança de Israel. Mas há milhões de pessoas em Gaza que, com a nossa aprovação, são privadas da sua liberdade a cada dia e expulsas das suas terras”, disse Nandino Capovilla aos jornalistas.
O pároco de Marguera considera que este é mais “um sinal de um país em desordem. Como é possível que tenha chegado a este ponto? Recusei-me a assinar o decreto de expulsão. É um documento de 1952 que essencialmente diz que a pessoa é indesejada”. “O Tribunal Penal Internacional emitiu um mandado de prisão por crimes contra a humanidade contra o Sr. Netanyahu, sem quaisquer consequências. Por outro lado, Israel prendeu-me”, assinalou ainda.
“Não sabemos qual era a motivação [para a deportação], mas acreditamos que tenha sido pelo facto de ele ter escrito o livro [Sob o céu de Gaza]”, disse o presidente da Pax Christi, ouvido pela ANSA. Na obra em questão, Nandino Capovilla reuniu histórias de habitantes do enclave palestiniano a partir de conversas com um funcionário da Organização das Nações Unidas.
O arcebispo Giovanni Ricchiuti e os restantes membros do grupo continuam em Israel para a peregrinação, que passará por Jerusalém e pela aldeia cristã de Taybeh, situada na Cisjordânia ocupada e atacada por colonos judeus no mês passado.
Numa entrevista dada há menos de um mês ao jornal Il Manifesto, Nandino Capovilla havia anunciado que faria esta peregrinação como “uma forma de demonstrar solidariedade ao povo palestiniano, não porque somos cristãos, mas porque somos humanos”. Questionado sobre o que representava o recente ataque à paróquia católica da Sagrada Família, em Gaza, Capovilla respondeu: “Se a ser bombardeada é uma igreja ou uma mesquita, se os mortos são muçulmanos ou cristãos, isso é secundário. O que é criminoso é o genocídio do povo palestiniano”.










