Quem visitar os Museus Vaticanos entre janeiro e março do próximo ano poderá ter alguma dificuldade em apreciar uma das suas maiores obras-primas, mas terá o privilégio de assistir aos trabalhos da sua conservação e restauro: durante três meses, andaimes irão cobrir toda a parede do altar da Capela Sistina, para uma intervenção extraordinária que complementará os trabalhos de manutenção regular do “Juízo Final” de Miguel Ângelo.
“Serão uma dúzia de plataformas de trabalho com um elevador que, para reduzir o tempo de trabalho e evitar obstruir a visão do público, nos permitirá trabalhar com até dez a 12 pessoas simultaneamente e ter uma experiência de perto com a obra”, explicou ao Vatican News o novo chefe do Laboratório de Restauro de Pinturas e Materiais de Madeira dos Museus Vaticanos, Paolo Violini.
Este trabalho complementará a manutenção regular, realizada anualmente com um elevador mecânico, e tornou-se necessário devido ao impacto que o grande número de visitantes (cerca de sete milhões por ano, e possivelmente mais neste ano de Jubileu) tem na conservação daqueles que são alguns dos frescos mais famosos do mundo. “Devemos terminar em março, libertando a parede antes do início da Semana Santa”, que terá início no dia 30 desse mês, prevê Violini.
“Um fio de continuidade” que nunca foi rompido

Os restauradores do Papa também são “guardiões de uma mensagem cristã, de fé, que cada obra sagrada traz consigo”, diz Paolo Violini. Foto © Vatican Media
Paolo Violini assumiu aquele que é um dos cargos mais prestigiados no mundo da conservação e restauro no passado dia 1 de agosto e sublinha a importância de dar continuidade ao legado recebido. “Temos uma história relevante”, recordou ao Vatican News: “O Laboratório foi fundado em 1923, mas a história da conservação no Vaticano tem origens ainda mais distantes, quando as obras estavam sob a jurisdição dos artistas da Academia de São Lucas no século XIX”. Há, portanto, “um fio de continuidade” que nunca foi rompido, começando com Biagio Biagetti, o primeiro responsável no cargo há já cem anos, até Francesca Persegati, primeira mulher contratada pela instituição em 1990, que acaba de passar o testemunho a Violini.
“Certos princípios já estavam presentes no debate cultural do século XIX e continuaram ao longo do tempo com todas as variações, atualizações tecnológicas e científicas da nossa profissão”, continua o novo responsável pelo Laboratório, salientando uma peculiaridade do restauro no Vaticano: “Mais do que em outras instituições, aqui é particular a atenção ao valor imaterial da obra de arte”. O olhar, explica, vai além da superfície pictórica, além da mera conservação material de uma pintura, porque os restauradores do Papa também são “guardiões de uma mensagem cristã, de fé, que cada obra sagrada traz consigo”.







