
A bispa Tracy Smith Malone foi uma das participantes na reunião da semana passada, tendo em vista a “regionalização” da Igreja Metodista Unida. Foto © Rick Wolcott, courtesy of the Council of Bishops
Reorganizar a denominação mundial e alterar a constituição para permitir uma maior equidade entre regiões. Foram estas as medidas mais importantes aprovadas pelo principal órgão legislativo da Igreja Metodista Unida, a Conferência Geral, na passada quinta-feira, 25 de abril, no decorrer de uma reunião realizada no Centro de Convenções de Charlotte, na Carolina do Norte, Estados Unidos da América (EUA). A medida é vista por vários líderes metodistas como uma solução que permite que a Igreja continue unida mas dividida em questões como o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a ordenação de pessoas LGBT.
Será posto em prática um programa, designado por “regionalização”, segundo o qual cada região mundial afeta à Igreja Metodista Unida, incluindo África, Europa, Filipinas e Estados Unidos, terá o poder de personalizar parte do livro de regras da denominação, o Livro da Disciplina, para dar resposta às necessidades locais existentes. Por outras palavras, tratar-se-á de um ato de descentralização do poder central para um nível mais regional.
Esta emenda constitucional foi aprovada com 78% dos votos, tendo ultrapassado a maioria de dois terços estritamente necessária para o efeito. A mesma será agora enviada a cada região para ratificação até ao final de 2025. Se for ratificada por dois terços dos delegados às conferências anuais, esta emenda permitirá que as regiões “estabeleçam as suas próprias qualificações para ordenar clérigos e líderes leigos; publiquem o seu próprio hinário e rituais, incluindo ritos para o casamento; e estabeleçam os seus próprios tribunais judiciais”.
Não é, porém, a primeira vez que a Igreja Metodista aborda a regionalização como tema a debater. Em 2008, a Conferência Geral já a tinha, de igual modo, aprovado, mas as conferências regionais não o fizeram, pelo que esta não avançou.
Dee Stickley-Miner, diretora executiva do envolvimento missionário da Junta Geral de Ministérios Globais, que trabalhou nestes planos com chefes de igrejas não baseadas nos EUA, afirmou que “desta vez, as medidas são mais claramente declaradas e foram moldadas e examinadas pelos metodistas nas várias regiões”. “Nós realmente entendemos como a Igreja Metodista Unida é mundial e como isso requer algumas mudanças na forma como nos estruturamos, para que os Estados Unidos sejam vistos ao lado das outras regiões, para que Jesus possa permanecer no centro e não numa região”, acrescentou ainda Stickley-Miner, citada pelo Religion News Service.
Porém, o plano de regionalização é também uma prova de que os contrastes culturais e teológicos estão a dividir os metodistas, nomeadamente no que diz respeito à sexualidade. “Muitos líderes da Igreja acreditam que a única maneira de os metodistas em todo o mundo poderem viver sob um único guarda-chuva é se tiverem margem de manobra para diferir em questões de casamento entre pessoas do mesmo sexo e ordenação de pessoas LGBT”. Vários grupos de metodistas nos EUA e no estrangeiro mostraram-se contra esta medida incluindo a Associação do Pacto Wesleyano e a Good News Magazine.
Nascida de um movimento do século XVIII iniciado em Inglaterra por John e Charles Wesley, a Igreja Metodista tem lidado com o fenómeno da regionalização enquanto empreendimento da descolonização. Apesar dos seus vários cismas e realinhamentos, esta Igreja esteve sempre centrada nos EUA. Agora, se o processo avançar, ocorrerá nela um fenómeno de descentralização sem precedentes.









