
Abudo Gafuro e Augusta Iaquite na iniciativa “Vozes de coragem”, realizada no dia 27 de Setembro no Hotel Pemba Express, em Pemba, Moçambique.
A situação pós-eleições gerais em Moçambique é extremamente preocupante, especialmente devido à violência e ao encerramento de escolas em algumas cidades principais do país. O fato de crianças inocentes estarem sendo prejudicadas pela instabilidade política e pela violência é inaceitável e deve ser condenado veementemente.
A violência que levou à morte de três pessoas por baleamento e ao ferimento de vários jovens por disparos da polícia é uma clara violação dos direitos fundamentais dos cidadãos moçambicanos. Esta violação também ocorre com a existência de várias pessoas detidas arbitrariamente. A atuação da polícia deve ser sempre pautada pela proteção e respeito aos direitos humanos, e o uso da força letal deve ser a última alternativa, quando todas as outras medidas falharam.
É fundamental que as autoridades moçambicanas investiguem de forma imparcial e transparente esses incidentes de violência e garantam que os responsáveis sejam responsabilizados. Além disso, medidas devem ser tomadas para garantir a segurança e o bem-estar das crianças afetadas pelo fechamento das escolas, assegurando que seu direito à educação seja preservado.
No último mês de Outubro foram chamados cerca de 17 milhões de eleitores inscritos para o exercício de votação do próximo inquilino da ponta vermelha e dos governadores provinciais.
Destes, cerca da metade foram às assembleias de votação e até hoje os resultados estão a ser classificados por ilícitos eleitorais gritantes, ora enchimento das urnas, ora actas falsificadas, com editais incompletos por parte da CNE, que até chegou a ser notificado pelo Conselho Constitucional (CC), o órgão mais alto sobre decisão no país. Mas o CNE não conseguiu explicar em 72 horas sobre as discrepâncias dos números ou editais e actas originais, solicitados por CC.
A onda de manifestações que se verifica em todas as cidades principais do país está a paralisar tudo mesmo a economia do país irá ressentir-se de uma forma abismal em termos de recuperação após essa situação de incerteza.
Apelamos a todos os intervenientes que encontrem soluções imediata para o actual cenário da crise ou seja paralisação total da economia e outros pontos flexíveis do estado moçambicano.
Apelamos que os autores encontrem soluções para pacificação e união de todos os Moçambicanos.
Chega de Paz parcial, chega de liberdade para uns e conflitos para os outros.
Chega de estarmos mergulhados nas incertezas.
Que haja coragem para reconciliação, justiça e Paz
A comunidade internacional também deve acompanhar de perto a situação em Moçambique e oferecer apoio para a promoção da paz, estabilidade e respeito aos direitos humanos no país. A violência e a violação dos direitos humanos nunca são justificáveis e devem ser combatidas com firmeza e determinação.

Abudo Gafuro Manana, presidente da Associação Kuendeleya, criada em Cabo Delgado (Moçambique), por jovens católicos, protestantes e muçulmanos, distinguido com o Prémio Voluntário do Ano pela Promoção da Paz e Coesão Social, atribuído pelo programa de Voluntários das Nações Unidas em 3 Dezembro 2022. Foto: Direitos reservados.
Abudo Gafuro é activista moçambicano pelos Direitos Humanos e coordenador da Associação Kuendeleya









