Vivemos em sociedades em que o envelhecimento é olhado muitas vezes como um problema económico, tanto para os estados como para as famílias, de abandono e da quebra de laços que têm como consequência a destruição de redes de solidariedade e de suporte que foram apoio durante a vida ativa. Na verdade, o envelhecimento daqueles e daquelas que nos precederam põe à prova a nossa humanidade enquanto sociedade e enquanto indivíduos.
O 7MARGENS iniciou a publicação de depoimentos de idosos recolhidos por José Pires, psicólogo e sócio fundador da Cooperativa de Solidariedade Social “Os Amigos de Sempre”. Publicamos hoje o vigésimo primeiro depoimento do total de vinte e cinco. Pode ler aqui os depoimentos já publicados. Informamos que tanto o nome das pessoas como as fotografias que os ilustram são da inteira responsabilidade do 7MARGENS.

“Tenho o meu pai com 92 anos. Vivemos o dia a dia. Aprendo muito com o meu pai.” Foto © Gerd Altmann / Pixabay
Raquel, 60 anos
Quero chegar ao fim com o corpo e a cabeça o melhor possível.
O mais importante é resolver tudo com amor e humor. O amor e o humor ajudam-nos a viver mais plenamente, mais sossegados. O amor e o humor são uma maneira de enfrentarmos a vida.
Quanto aos aspetos físicos já tenho um problema sério.
Uma coisa é como queria que fosse e outra é como vou ser, pois tenho um problema grave na coluna. Quando acordo tenho dores em toda a coluna. É imprevisível a evolução disto. As dores agora não são insuportáveis, mas não sei como virá a ser. Isto tem que ser enfrentado com amor e com humor.
É mau porque de manhã tenho de andar toda curvada, mas lá vou mantendo o equilíbrio. Isto não mata e tudo o que não mata fortalece-te.
Sou uma pessoa otimista, vejo sempre o copo meio cheio e não meio vazio.
Tenho o meu pai com 92 anos. Vivemos o dia a dia. Aprendo muito com o meu pai. Ele recorda as coisas antigas. Dou valor às referências dele. Faz-me notar como hoje muitas coisas na aldeia estão destruídas…” e eram tão bonitas” continua ele a dizer…










