Muitas vezes há um mal-entendido: as pessoas pensam que na nossa cultura as mulheres são reprimidas e que não lhes é permitido viver livremente; mas o siquismo foi uma das primeiras religiões do mundo a introduzir o conceito de igualdade de género e a explicar a importância das mulheres.
O siquismo surgiu numa época [final do século XV] em que as mulheres eram tratadas de forma totalmente degradante e impensável, sem direitos políticos, sem direitos humanos mesmo que fossem os básicos dos básicos.
O primeiro guru, Nanak Dev Ji, introduziu o conceito de igualdade de género e durante as suas peregrinações partilhava a mensagem que as mulheres não são inferiores a ninguém e que têm o direito a serem tratadas da mesma forma como todos outros.
No século XV e XVI, uma época em que muitas mulheres eram forçadas a ficar em casa e serviam apenas para fazer tarefas domésticas, as mulheres sikh eram uma parte crucial da religião e lutavam pelos seus direitos, tomavam parte em decisões importantes de forma democrática e em relação a estratégias de batalha dos seus tempos.
No siquismo há inúmeros exemplos em que se entende muito claramente que as mulheres não são inferiores a ninguém e totalmente independentes de fazer as suas próprias escolhas sem ter de sofrer a pressão que a sociedade cria sobre elas; ainda assim as mulheres demonstram a surpreendente força de vontade e confiança que têm em Deus e em si.

Várias mulheres da Comunidade Sikh de Portugal com o autor (em baixo, à esquerda). Foto: Direitos reservados.
Há um versículo nas Escrituras Sagradas sikh (Guru Granth Sahib Ji), escritas pelo Guru Nanak Dev Ji no séc. XV, que explica de uma forma muito concisa e clara a importância das mulheres e o seu papel no mundo:
“Da mulher nasce o homem; dentro da mulher é concebido o homem; com a mulher ele é noivado e casado.
A mulher torna-se sua amiga; através da mulher, chegam as gerações futuras.
Quando a sua mulher morre, ele procura outra companheira; a essa mulher ele está vinculado.
Então, porquê chamá-la má e degradá-la? Se são dela que nascem os futuros reis e imperadores.
Da mulher nasce a mulher; sem mulher, não existiria ninguém.”
(Guru Nanak, Raag Aasaa Mehal 1, Ang 473)
Nos contextos religiosos, históricos e políticos uma das figuras mais influenciadoras no siquismo foi por exemplo Mai Bhago, a primeira líder do exército sikh no século XVIII, que liderou o exército na batalha de Muktsar contra a opressão das tropas mogol.
Outra das figuras importantes na história da comunidade foi a segunda rainha do Império Sikh, Jind Kaur [c. 1817 –1863]; era conhecida pela sua beleza, energia e força de propósito; até os britânicos, que na época tinham capturado a maior parte da índia a temiam, e descreveram-na como “a Messalina do Punjab”.
Na era moderna, Sophia Alexandrovna Duleep Singh [1876-1948], filha do último rei sikh, Maharaja Duleep Singh, e afilhada da Rainha Victoria do Reino Unido, desempenhou um papel crucial na luta pelos direitos políticos das mulheres no Reino Unido.
Em Portugal ainda há um estereótipo de que os sikhs são uma comunidade muito conservadora em relação às mulheres. Mas a verdade é que as mulheres desempenham um papel significativo no moldar da nossa religião.
Rajveer Singh é estudante do 12º ano em Gestão e Marketing e integra a Comunidade Sikh de Portugal.










