
Voluntários da Cáritas Líbano entregam pacotes de alimentos a famílias deslocadas na sequência dos ataques da última semana. Foto © Caritas Lebanon
A situação dos libaneses já era difícil, mas depois de uma semana de intensos bombardeamentos em várias regiões do país e sem perspetivas de um cessar-fogo, tornou-se absolutamente dramática. Várias organizações cristãs – entre as quais a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), a Cáritas Líbano e a Œuvre d’Orient – já se mobilizaram para reforçar o apoio à população afetada. E apelam aos donativos de todos aqueles que possam e queiram ajudar também.
“A Igreja libanesa é, neste momento, provavelmente o único porto de abrigo para milhares de famílias em desespero, e é para apoiar o esforço extraordinário de padres e irmãs que procuram socorrer todos os que estão em maior necessidade, que a Fundação AIS acaba de lançar a campanha SOS Líbano”, lê-se num comunicado enviado esta quinta-feira, 3, ao 7MARGENS pela fundação pontifícia.
“O país já atravessava uma profunda crise económica, com uma inflação galopante que conduziu as famílias para a miséria. Mas, agora, tudo está ainda pior”, diz Catarina Martins de Bettencourt, responsável do secretariado da Fundação AIS em Portugal, citada na nota.
“As pessoas estão agora a viver em salões das igrejas, pelo que vão precisar de alimentos, produtos sanitários, colchões, cobertores e, se a situação se mantiver, vamos precisar de aquecimento para o Inverno, embora, claro, esperemos que isto não dure tanto tempo”, afirma por sua vez Marielle Boutros, coordenadora dos projetos da Fundação AIS para o Líbano.
“Nesta situação tão grave, todos somos chamados a ajudar a Igreja do Líbano, todos somos chamados a dar apoio aos padres e às irmãs que estão lá, no terreno, junto das populações em sofrimento. É nos momentos de angústia que se vê a nossa solidariedade. E é isso que peço, uma vez mais, a todos os benfeitores e amigos da Fundação AIS”, diz Catarina Bettencourt na mensagem também publicada no site da organização, e através do qual podem ser feitos os donativos.
Necessidades excedem todas as previsões
Prestando ajuda humanitária aos cristãos orientais desde 1856, a Œuvre d’Orient está igualmente presente no Líbano, financiando hospitais e dispensários pertencentes a igrejas e congregações locais e que cuidam de pessoas de todas as origens e religiões. A ONG católica financia também escolas cristãs de língua francesa, bem como a reconstrução de igrejas, conventos e habitações danificadas.
O padre Pascal Gollnisch, diretor-geral da organização, apela não só a donativos, que podem ser feitos online, mas também a um desbloqueio das instituições no país. “Face aos últimos acontecimentos, torna-se uma emergência vital desbloquear o processo de designação de um Presidente da República e de um governo para coordenar a ajuda internacional e conduzir o Líbano à neutralidade de que necessita e a que tem direito”, afirmou em comunicado na passada segunda-feira. “É claro que quem se opuser, de qualquer dos lados, mostraria que não tem em conta as reais necessidades de toda a população. As organizações internacionais, os Estados e a sociedade civil, incluindo as ONG, devem ter interlocutores claros, credíveis e eficazes”, defendeu Gollnisch.
Apesar dos constrangimentos, também a Cáritas Líbano continua no terreno, a fornecer refeições quentes, pacotes de alimentos, kits de higiene, roupas, cobertores e colchões às famílias deslocadas espalhadas por 790 abrigos no país, e ainda a disponibilizar consultas, medicamentos e apoio psicológico nas suas 15 Unidades Médicas Móveis. A instituição está também a avaliar a possibilidade de criação de mais abrigos “para acomodar o crescente fluxo de famílias deslocadas”.
A instituição havia preparado com antecedência uma resposta para a potencial crise, mas os ataques recentes foram além de quaisquer previsões. “Portanto, estamos a fazer a nossa parte para preservar as vidas dessas pessoas deslocadas”, explica o padre Michel Abboud, presidente da Cáritas Líbano, citado pelo National Catholic Register.
Questionado sobre a sustentabilidade dos serviços no caso de os ataques se prolongarem, o padre Abboud adianta que “a Cáritas está a trabalhar para fortalecer a sua capacidade de socorro através da cooperação com os seus parceiros locais e internacionais para garantir os bens essenciais para lidar com a crise”. “No entanto, salvaguarda, manter as nossas capacidades depende de apoio e doações contínuos. Se a escalada se prolongar, enfrentaremos desafios significativos, mas estamos constantemente a desenvolver planos de emergência alternativos, a aumentar os nossos stocks e a garantir os fundos necessários para atender às necessidades dos mais vulneráveis pelo maior tempo possível”.









