Presentes para Karol Wojtyla-João Paulo II no centenário do seu nascimento

João Paulo II em Cali, na Colômbia, em Junho de 1986. Foto © Hernan Valencia/Wikimedia Commons
Era para ser um aniversário com pompa e circunstância. Leia-se: com inúmeras peregrinações e missas em catedrais cheias de fiéis. A pandemia veio alterar os planos para celebrar o centenário do nascimento de Karol Wojtyla, que viria a ser o Papa João Paulo II, nascido faz precisamente 100 anos nesta segunda-feira, 18 de Maio, conforme se evoca no perfil biográfico publicado no 7MARGENS.
Haverá missas na mesma, é claro, mas em transmissão vídeo. As peregrinações foram canceladas ou adiadas, mas mantiveram-se edições de livros e a estreia de um novo filme. O Papa Francisco e Bento XVI dedicaram-lhe palavras de gratidão e até a fase diocesana da causa de beatificação dos pais de João Paulo II foi iniciada, como se de um verdadeiro presente se tratasse.
Em Lisboa, o dia 18 de maio ficará marcado por uma eucaristia presidida pelo cardeal-patriarca, Manuel Clemente, na Igreja de Nossa Senhora de Fátima. A missa de ação de graças, organizada pelo movimento de jovens “Eu Acredito”, está marcada para as 19h e será transmitida através das redes sociais do Patriarcado de Lisboa, noticiou a Renascença.
Para o movimento, este é “um convite a que todos os jovens e famílias rezem em suas casas, estando em comunhão com a Igreja, para agradecer a vida e o ministério do Papa Santo”, afirmaram em comunicado. Trata-se de uma “oportunidade de partilha entre gerações que, unidas em oração e em comunhão com toda a Igreja, inspirem cada um a ‘não ter medo de ser santo’, como nos desafiou Karol Wojtyla”.
Em Roma, coincidência ou não, este será o dia da reabertura da Basílica de São Pedro aos fiéis, depois de ter estado encerrada mais de dois meses devido à pandemia. Precisamente ali, onde se encontra o túmulo de João Paulo II, o Papa Francisco irá celebrar a sua última eucaristia matinal com transmissão em vídeo.
Certamente que a homilia de Francisco será dedicada ao seu predecessor. Sobre ele, escreveu recentemente no prefácio do novo livro 100 Anos. Palavras e imagens, uma obra lançada em Itália para assinalar o centenário do nascimento e que tem como principal objetivo dar a conhecer aos mais jovens quem foi São João Paulo II.
“Grande testemunha da misericórdia de Deus”

João Paulo num dos seus múltiplos encontros com jovens. Foto: Direitos reservados.
O Papa polaco foi “uma grande testemunha da misericórdia” de Deus, e é belo “recordá-lo de modo simples, depois de 15 anos da sua morte, porque “há muitos jovens que não o conheceram ou que têm apenas uma pequena recordação dos tempos de infância” e aos quais este pequeno livro é especialmente dirigido, escreveu Francisco.
No prefácio, Francisco destaca a “grande paixão” que João Paulo II tinha pelas pessoas, e descreve-o como uma “uma grande testemunha da fé, um grande homem de oração, um guia seguro para a Igreja em tempos de grandes mudanças”.
Francisco recorda ainda o quanto João Paulo II terá sofrido, com a morte da sua mãe, irmão e pai quando era ainda muito jovem, ou com “o terrível atentado em 1981”, e como nos ensinou a ir em frente “alegres, apesar das dificuldades, ao longo dos caminhos do mundo”.
Também Joseph Ratzinger fez questão de recordar João Paulo II, numa carta que endereçou aos bispos polacos. “Desde o primeiro momento, João Paulo II despertou um novo entusiasmo por Cristo e a sua Igreja”, escreveu o Papa emérito Bento XVI. “É certo que o poder e a bondade de Deus se fizeram visíveis para todos nós em João Paulo II. Num momento em que a Igreja sofre uma vez mais a aflição do mal, este é para nós um sinal de esperança e confiança”, sublinhou.
Ratzinger, que foi muito próximo de João Paulo II, tendo trabalhado como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé entre 1981 e 2005 antes de ser eleito como seu sucessor, destacou ainda “a grande humildade” do seu antecessor.
Em Espanha, o centenário do nascimento de João Paulo II foi assinalado com a estreia, no dia 8 de maio, do documentário Wojtyla. A Investigação. O filme conta com entrevistas a diversas pessoas chave na vida do Papa, como o arcebispo emérito de Cracóvia, Stanislaw Dziwisz, que durante 40 anos foi o seu secretário pessoal, ou o postulador do seu processo de canonização, Slawomir Oder. O documentário, que não tem data de estreia prevista em Portugal, inclui ainda imagens e documentos inéditos que revelam alguns aspetos até hoje desconhecidos da vida de Karol Wojtyla.
E quando em Espanha se ultimavam os preparativos para estreia do filme, em Wadowice, na Polónia, terra natal de João Paulo II, era dado início à fase diocesana do processo para a beatificação dos “servos de Deus” Emília Kaczorowska e Karol Wojtyla, pais do futuro Papa. A cerimónia realizou-se a 7 de maio, na Basílica da Apresentação da Bem-Aventurada Virgem Maria, e, ainda que não “oficialmente”, marcou o início das celebrações do centenário do nascimento de Lolek, como era chamado pelos mais próximos – e que viria a ser o primeiro Papa polaco da história do catolicismo.
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