“É preciso parar a espiral de violência, uma violência que se está a manifestar contra gente frágil e indefesa”, apela a Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Braga (CJPAB) em nota divulgada no dia 2 de agosto sobre a guerra em Gaza e em que se diz unida “a todos os que, em todo o mundo, apelam ao governo de Israel para que pare esta mortandade e cesse o uso da fome como arma de guerra”.
“Em consequência da ação do exército israelita em Gaza – empreendida após os ataques terroristas do Hamas que, a 7 de outubro de 2023, no sul de Israel, causaram cerca de mil mortos, incluindo crianças e jovens, e a captura de duas centenas de reféns – morreram, até ao dia 15 de julho, 18.500 crianças e jovens palestinos” refere o comunicado.
Sobre essas crianças e jovens, a comissão cita a publicação, no dia 30 de julho, nas páginas do diário The Washington Post, de “uma lista impressionante com os nomes (e, em um ou outro caso, fotografias) das crianlas e jovens palestino mortos, assaz eloquente sobre o genocídio em curso, que dizimou 953 crianças antes de fazerem um ano, 943 com um ano, 972 com dois anos, 899 com três anos, 868 com quatro anos, 985 com cinco anos, 924 com seis anos (e a terrível contabilidade de crianças e jovens mortos por idade estende-se até aos 17 anos)”.
“Mesmo quem – continua a CJPAB – em vez de ler devagar, percorrer com um olhar apressado a extensa lista com o nome destas crianças assassinadas premeditadamente não deixará de sentir uma dor pungente que impõe o dever de um grito: ‘Basta!’”.
A comissão lembra a “grande preocupação” sublinhada por Leão XIV, no dia 27 de julho, após a recitação do Angelus, sobre “a gravíssima situação humanitária em Gaza, onde a população civil é esmagada pela fome e continua a ser exposta à violência e à morte” que o levou a repetir o seu “apelo sincero ao cessar-fogo, à libertação dos reféns e ao respeito integral pelo direito humanitário”.
Inspirados pelas palavras do Papa e perante o genocídio em curso, os autores da nota afirmam: “Sabemos bem que não temos uma voz audível no plano internacional e bem sabemos, igualmente, que abundam as vozes audíveis que não têm sido devidamente escutadas. Mesmo assim, não podemos deixar de nos associar a todos os que, em todo o mundo, estão a gritar incansavelmente pela paz no Médio Oriente.”
O comunicado termina citando o “memorável poema de Jorge de Sena Carta a meus filhos sobre os fuzilamentos de Goya: ‘Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém / Vale mais do que uma vida ou a alegria de tê-la.’”










