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Leão XIII tinha-se dedicado, enquanto bispo de Perugia, a promover iniciativas de apoio aos mais pobres. Foto: Direitos reservados.

134 anos da encíclica

“Rerum Novarum” inaugura a Doutrina Social da Igreja

| 14/05/2025

 

A 15 de maio de 1891 o Papa Leão XIII publicava a Encíclica Rerum Novarum, que se considera o início da Doutrina Social da Igreja (DSI). Foi um marco no debate sobre as questões sociais, pela importância que dedica às condições de trabalho da época.

Ela aparece como resposta da Igreja às grandes transformações provocada pela Revolução Industrial, em que a condição de operário atingiu uma exploração indigna da condição humana.

O Papa olhou para a miséria em que viviam os trabalhadores, denunciou e formulou orientações, sobre direitos e deveres do trabalho, a justiça social e o bem comum. O salário era um imperativo de justiça social. Leão XIII com este documento propõe-se ajudar os homens das classes mais baixas a quem o capitalismo selvagem e sem regras relegou para a miséria imerecida” (nº2).

A vida sofrida dos operários interpelou a Igreja, que recebeu um novo impulso com Cardjin, o fundador da JOC, Juventude Operária Católica, ao reconhecer os jovens trabalhadores como filhos e filhas de Deus, que têm de ser respeitados, denunciando a exploração a que estavam sujeitos.

O meu contacto com a Rerum Novarum dá-se no grupo da JOC, Juventude Operária Católica nos fins dos anos 70, princípios dos anos 80 e mais tarde na LOC/MTC- Liga Operária Católica- Movimento de Trabalhadores Cristãos. Foi neste espaço de Igreja que percebi a importância da DSI, com a Rerum Novarum e mais tarde a Laborem Exercens, estas direcionadas para as questões do trabalho e muitas outras sobre outras realidades. Percebi que quase 100 anos antes já era uma forte preocupação do Papa Leão XIII.

Nos grupos de Revisão de Vida, nestes movimentos de Igreja, o grupo era incentivado e motivado, ensinado pelos assistentes destes movimentos operários –  no meu caso foi o P. Avelino Cardoso –  que impulsionados pelo Vaticano II se empenhavam para que os leigos conhecessem os documentos da DSI.

Nas reuniões de Revisão de Vida, quando refletíamos as realidades de trabalho, procurávamos buscar fundamentos para a nossa ação; e era na Rerum Novarum e, depois, na Laborem Exercens que encontrávamos motivação e apelo à ação. Hoje, a Igreja tem uma vasta oferta de documentos sobre a realidade social e o papel dos cristãos na sociedade, princípios tão concretizados pelo Papa Francisco. Mas tem-lhes sido dada pouca importância, por grande parte da Igreja. Essas orientações deveriam ser levadas a sério, para orientar a vida dos cristãos na sociedade. O que falta é colocá-las em prática.

Muitos homens e mulheres estão empenhados em não desligar a sua fé da vida real, procuram interpretar a realidade de cada tempo, confrontá-la com o Evangelho, com a DSI, comprometem-se com os valores cristãos no mundo do trabalho e na sociedade. Os militantes operários cristãos formaram-se e formam-se lendo e meditando os documentos da DSI, como atualização do evangelho, para cada tempo. Como Igreja, como cristãos temos um grande défice de testemunho de vida, o que nos deveria interpelar. Não basta saber muito e ter cursos bíblicos, é na vida concreta que o Evangelho se aplica. A atual realidade social necessita tanto dos testemunhos dos crentes, que indiquem caminho para sair do egoísmo coletivo, que não tem em conta os outros. O poder é dos mais fortes e os mais pobres são abandonados à sua sorte, contrariando todos os ensinamentos de Jesus Cristo.

 

Albertina Gomes, militante da LOC/MTC

 

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