
Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores. Foto reproduzida a partir da página de Facebook de José Andrade
O bispo de Angra apela a todos os diocesanos que votem nas eleições regionais, que se realizarão já no próximo domingo, 4 de fevereiro. Numa mensagem divulgada este fim de semana, Armando Esteves Domingues sublinha que “votar não é só um dever”, mas representa também “um compromisso de tudo fazer para que, todos juntos, recuperemos aquele fundo humano comum de que precisamos”.
“Faço daqui um apelo aos cristãos açorianos para que cada um assuma a sua responsabilidade própria. A fé não é algo que se viva apenas do ponto de vista espiritual; tem a ver com a vida concreta, com os desafios da sociedade, com a justiça social e com a política, que deve ter como prioridade o bem comum”, lembra o bispo de Angra.
Armando Esteves Domingues defende, por isso, que “ninguém deve excluir-se do processo de escolha daqueles que julga mais capazes de administrar os recursos disponíveis e que são sempre escassos, em prol do bem comum, para garantir a igualdade de oportunidades e os direitos constitucionalmente consagrados”.
Ao mesmo tempo, assinala o bispo que este ano votará pela primeira vez nos Açores, “são precisos projetos sérios nas sociedades contemporâneas e a sociedade açoriana, em particular, não dispensa projetos realistas e criativos, que devolvam esperança; que coloquem as pessoas no centro, que garantam o respeito pela dignidade e inviolabilidade do direito à vida, que facilitem o acesso à habitação, a um trabalho digno e justamente remunerado, em que a família seja respeitada, as crianças e os jovens possam confiar no futuro e os idosos não sejam descartados”.
O prelado considera que “só assim os cidadãos podem ser levados a optar pela adesão a projetos concretos e não a votar pela raiva ou desilusão ou, pior ainda, a não votar”.
Na sua mensagem à diocese, o bispo de Angra sublinha ainda “as dificuldades” do atual contexto mundial nacional e regional e denuncia o que chama de “paradoxos que denunciam um mal-estar de civilização”. “Aumenta a riqueza mas crescem as desigualdades; aumenta a produção mas morre-se de fome; aumenta o consumismo mas sobem os índices de infelicidade”, escreve.
Por isso, “quem se sente chamado a assumir a nobre missão da política e a candidatar-se a cargos públicos, merece a oração e colaboração de todos os cristãos”, diz ainda Armando Esteves Domingues.









