O Papa Leão XIV pediu aos jovens participantes da jornada nacional da juventude “Rejoice” (“Alegra-te”) que não deixem que “nada nem ninguém” lhes roube a esperança e que, “bem ancorados na palavra de Jesus, lendo o Evangelho todos os dias, nunca” deixem de “sonhar com uma terra onde haja paz e fraternidade, nem de olhar para o mundo com encanto, nem de enfrentar o futuro com a luz da esperança”.
Numa mensagem-vídeo que pode ser vista no final deste texto e que foi transmitida no final da vigília da Jornada Nacional da Juventude, em Lamego, o Papa acrescentou, citado pela agência Ecclesia: “É sempre especial estar com os jovens, porque o entusiasmo da vossa fé é contagiante. O amor que demonstrais por Cristo reconforta, é maravilhoso, nos nossos dias, ver jovens como vós, cheios de fé, e sem medo de o dizer.”
“É bonito constatar que tendes uma profunda sede da verdade e que a procurais de coração sincero”, disse Leão XIV. “É bonito notar que tendes fome da justiça e da caridade e não vos dais por satisfeitos com valores efémeros. É bonito observar que amais a beleza, em especial aquela beleza tão antiga e tão nova, o nosso Deus, que nos espera no mais íntimo do nosso íntimo.”
A segunda edição da Jornada Nacional da Juventude “Rejoice” é organizado pelo Departamento Diocesano da Pastoral de Jovens de Lamego e pelo Departamento Nacional da Pastoral Juvenil da Conferência Episcopal Portuguesa, com o lema “Nós somos muitos e formamos um só corpo em Cristo” (frase da Carta aos Romanos 12,5).
“Queridos jovens, alegrai-vos sempre no Senhor, aí, em Lamego e em toda parte, nas vossas famílias, nas escolas, nas paróquias, nos movimentos e nos vários grupos juvenis a que pertenceis”, acrescentou o Papa, que destacou também o facto de esta iniciativa ter surgido na sequência JMJ 2023, em Lisboa.
“Foram dias esplêndidos e felizes pela concórdia entre todos, pela harmonia entre diferentes línguas e culturas, mas, sobretudo, pelo encontro intenso com o Senhor Jesus e pela experiência das maravilhas que Cristo vivo realiza quando nos reunimos em Seu nome”, afirmou Leão XIV, que integrou a comitiva oficial do Papa Francisco, enquanto prefeito do Dicastério para os Bispos, da Santa Sé, quando era o cardeal Robert Prevost. E acrescentou que espera ver os jovens portugueses em Agosto do próximo ano, em Seul, Coreia do Sul, onde decorre a próxima JMJ.
“Violência e destruição” de novo

O Papa em Castel Gandolfo, depois da alocução do Ângelus desta manhã. Foto © Vatican Media.
Já nesta manhã de domingo, o Papa presidiu à oração dominical do Ângelus, em Castel Gandolfo, alertando os católicos para as falsas necessidades criadas pela “indústria do consumo” e avisando, no final, para o agravamento da violência no Médio Oriente e o impacto que têm as “novas acções militares e decisões unilaterais”.
Pedindo o regresso às negociações, Leão XIV afirmou: “Renovo o meu apelo relativamente às situações em todo o Médio Oriente, onde a intensificação das operações militares trouxe de novo violência e destruição, colocando gravemente em risco a vida de numerosos civis e agravando a escassez de água potável e eletricidade.”
Depois do ataque a Israel, em 7 de Outubro de 2023, em que o Hamas matou pelo menos 1139 pessoas, e dos bombardeamentos israelitas que arrasaram a Faixa de Gaza e assassinaram mais de 73 mil pessoas, Israel atacou também o Irão e o Líbano várias vezes e os Estados Unidos começaram a bombardear Israel em 28 de Fevereiro. Apesar de um cessar-fogo assinado no dia 17 de Junho, os EUA voltaram a atacar o país.
“Do fundo do coração, exorto todas as partes envolvidas a suspender os ataques e a reabrir com urgência espaços de diálogo e diplomacia, para se chegar o quanto antes à paz tão desejada para toda a região”, apelou o Papa, citado na Ecclesia.
Leão XVI manifestou ainda “apreensão”, perante o agravamento da violência na Terra Santa, “da qual foram vítimas ultimamente, também, muitos civis na Cisjordânia e em Gaza”.
“Dirijo um veemente apelo para que se volte a negociar uma justa solução política, fundada na paridade e na igualdade de direitos de todo o ser humano, e para que se rejeitem novas acções militares e decisões unilaterais, em particular aquelas que violam o respeito e o status quo dos lugares santos de cada fé religiosa”, declarou.
“O Pai do Grande Líbano”
Na sua intervenção, o Papa Leão aludiu ainda à beatificação do patriarca maronita Elias Boutros Hoyek (1843-1931), que se celebrou este sábado, no Líbano.
“Homem de diálogo e de esperança, foi um luminoso ponto de referência eclesial, social e político, a ponto de ser chamado ‘Pai do Grande Líbano’. Que a oração e a intercessão do novo beato acompanhem sempre os fiéis maronitas em todo o mundo e obtenham o dom da paz para todo o povo do Líbano, tão querido para mim.”
O Papa recordou ainda as vítimas dos “devastadores incêndios que, nestes dias, atingiram várias localidades de França e de Espanha” e destacou a celebração do VI Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, instituído pelo Papa Francisco, e apelando à valorização e protecção das pessoas mais velhas.
“Agradeçamos juntos ao Senhor pelo dom que os idosos representam para a Igreja e para a sociedade. Comprometamo-nos a respeitar e a valorizar o seu precioso papel e a garantir-lhes sempre a devida atenção e assistência”, disse, citado pela Ecclesia.
“A Igreja conhece o sofrimento dos seus filhos mais idosos, sabe bem que demasiadas vezes se olha para eles com preconceitos e são considerados um fardo”, afirmou o Papa aborda as consequências de um tempo “marcado de forma tão dura pela violência bélica e social”.
Leão XIV conclui esta segunda-feira o período de férias que está a passar na residência pontifícia de Castel Gandolfo, nos arredores de Roma.







