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Hélder Bonifácio
O missionário foi ordenado padre aos 28 anos em Algueirão, Sintra. Foto: DR

Hélder Bonifácio, missionário

A missão que nem a doença travou

| 02/08/2026

 

O percurso do padre Hélder Bonifácio é um mosaico de culturas, línguas e resiliência face à adversidade. Com uma vida dividida entre três continentes, o missionário de 58 anos reafirma hoje a certeza de uma decisão tomada na adolescência: a missão é um caminho sem arrependimentos.

Hélder Bonifácio é um padre Missionário da Consolata de 58 anos, que nasceu em Lisboa num dia significativo e recentemente celebrado – “Nasci nas vésperas do dia de Santo António, às 15h05, ano em que as marchas populares saíam pela última vez da Rua do Século” – recorda, em depoimento à revista Fátima Missionária.

Tinha uma mãe professora e um pai militar. Viveu na Lourinhã e no Cazombo, em Angola, mas ainda em criança regressou com a família a Portugal. Cumpriu o ciclo preparatório no Lar Académico Militar, em Oeiras, e foi aí que, com cerca de dez anos, olhou para o padre que celebrava a missa e pensou: “Quero ser como ele.”

Comunicou essa intenção aos seus pais, mas a reação “não foi a melhor”. Ainda assim, foram com o filho até à congregação dos Missionários do Verbo Divino, em Fátima, para ver se o admitiam. No entanto, os testes de ingresso que se faziam naquela época já tinham começado e propuseram-lhe que se apresentasse no ano seguinte. “O meu pai, aproveitando-se disso, fez um trato comigo: entraria no seminário aos 18 anos, se assim permanecesse a minha vocação.”

Hélder prosseguiu o seu percurso na escola secundária, mas aos 15 anos reprovou. O diretor nessa ocasião disse à sua mãe: “Ou põe este rapaz no seminário ou ele não fará nada aqui, porque não quer estar neste lugar!”

Depois de lhe perguntarem para onde queria ir, o jovem disse que queria ser missionário da Consolata. Esta resposta “não foi casual”, pois frequentava o “Grupo de oração e missão” no Seminário Filosófico do Cacém, onde ouviu de um seminarista uma frase que o marcou profundamente: “Deus podia ter-me dado uma paróquia de Portugal, mas deu-me o mundo como paróquia”. Estas palavras foram decisivas para optar pelos Missionários da Consolata.

Semanas depois, Hélder estava em Fátima para fazer os testes de admissão. O jovem foi aceite no seminário. Além de Portugal, o seu percurso formativo passou por Itália e Espanha. Foi ordenado presbítero aos 28 anos, em Algueirão. Em março de 1997 partiu em missão para o estado do Roraima, no Brasil. “O meu trabalho consistia em ser responsável da área missionária do Caranã, que tinha cinco comunidades muito variadas, desde indígenas até descendentes de alemães.” O padre Hélder foi também professor na Escola de Artes e Ofícios da Consolata e esteve envolvido na preparação de processos de nulidade de matrimónios.

Em dezembro de 1999 regressou a Portugal. Foi diretor do Consolata Museu, em Fátima, animador vocacional e responsável por um Seminário em Família. Em 29 de setembro de 2002 recebeu em Ourém a distinção de cavaleiro e capelão honorário da Real Irmandade de São Miguel da Ala por ter trabalhado com a Casa Real.

Roraima. Brasil. Hélder Bonifácio

Hélder Bonifácio esteve em missão no estado do Roraima, no Brasil, onde lidou com povos indígenas. Foto: DR

Em março de 2003 partiu para Moçambique, onde esteve ao serviço em Maúa, Lichinga, Matola e Vilankulos. Estudou as línguas macua e changana, foi superior de comunidades da congregação, vigário de diversas paróquias, ecónomo em diferentes organismos, secretário da formação permanente da congregação e esteve ao serviço na revista Caminhos.

Foi ainda professor, uma função que interrompeu devido ao regresso do cancro, dois anos depois de ter sido operado. A doença levou-o a voltar a Portugal, mas, assim que o tratamento de radioterapia terminou, voltou a Moçambique para dar aulas a alunos de mestrado. O Instituto de Ciências e Tecnologia de Moçambique foi um dos espaços onde lecionou. Em fevereiro de 2015 foi destinado a Elche, em Alicante (Espanha), onde integrou o Serviço Conjunto de Animação Missionária, que reúne todos os institutos missionários daquele país.

Em outubro de 2020 regressou a Roma. Foi novamente ecónomo de um organismo e membro da equipa formativa do seminário maior da Consolata, em Bravetta. Desde fevereiro de 2025 encontra-se em Saragoça, Espanha, como animador missionário e vigário da Paróquia de Cristo Rey. O padre Hélder olha com felicidade para o seu percurso: “Este foi o meu caminho até agora. O futuro só Deus sabe, mas o que sei é que não me arrependo da decisão que tomei aos meus 16 anos, de entrar para a Consolata.”

 

Texto publicado no âmbito da parceria 7MARGENS / Fátima Missionária.

 

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