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OIMAmanda Nero Migrantes em Lesbos, Grécia
Migrantes em Lesbos, Grécia. “A resposta fraterna dos cristãos aos processos injustos de fragilização da pessoa migrante é a resposta concreta que oferece esperança e sentido". Foto © OIM/Amanda Nero

Bispo Pedro Fernandes

“A solução não é combater as pessoas migrantes, mas combater os discursos de ódio e racismo”

| 10/08/2026

Para enfrentar “as vagas migratórias por vezes desproporcionadas para os mecanismos de integração” existentes, “a solução não é combater as pessoas migrantes, mas é combater os discursos de ódio e racismo”, garantindo-lhes “melhores condições de acolhimento” e produzindo “legislação responsável que respeite os quatro verbos fundamentais que a Doutrina Social da Igreja preconiza: acolher, proteger, promover e integrar”– lê-se na mensagem do bispo de Portalegre-Castelo Branco, Pedro Fernandes, para a Semana Nacional das Migrações.

A Semana Nacional de Migrações é promovida pela Obra Católica Portuguesa das Migrações, decorre de 9 a 16 de agosto e tem este ano como lema “Da Fragilidade à Esperança”. Escrevendo enquanto presidente da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana, o bispo Pedro Fernandes lembra que “muitas pessoas migrantes ou refugiadas” encontram muitas vezes no país de destino “o oportunismo e a opressão” e são “vítimas de tráfego, de condições de trabalho ou alojamento injustas e, tantas vezes, desumanas, legislações injustamente discriminatórias e práticas administrativas ou políticas que causam ainda mais sofrimento”.

É por isso, escreve o bispo, que “a resposta fraterna dos cristãos aos processos injustos de fragilização da pessoa migrante é a resposta concreta que oferece esperança e sentido, não apenas com palavras bonitas, mas com a promoção da solidariedade, da justiça, através de processos e propostas concretas de integração positiva.”

“Ser Igreja, como comunidade universal, verdadeiramente católica, é isso: acolher o dom de Deus que nos faz ser um só, não apenas na liturgia, mas, antes de mais, nas relações sociais e comunitárias”, sublinha o bispo de Portalegre-Castelo Branco na mensagem, enviada esta segunda-feira, 10 de agosto, ao 7MARGENS.

Porque, se “a experiência da fragilidade é transversal à condição humana”, pois “somos finitos, vivemos muitas vezes desafios que nos fazem sentir impotentes ou insuficientes”, há, porém, “formas de fragilidade que são impostas de forma injusta ou violenta, que não propõem a fragilidade como um caminho, mas impõem processos de fragilização e empobrecimento que, em última análise, podem roubar a esperança e ofender a dignidade das pessoas.”

Tendo consciência de que “a esperança é um dom de Deus que abre um sentido novo e pleno a todas as experiências da vida, convocando a realidade humana para um futuro melhor e, acima de tudo, para uma felicidade eterna”, os cristãos comprometem-se “todos com todos”, a “acolher e deixando-se acolher, promovendo juntos caminhos de integração ativa e de valorização da diferença”.

A diferença está, conclui Pedro Fernandes, “para os que chegam, no que encontram; para os que os recebem, em quem chega”. Mas “o respeito pela diferença, integrando sem diluir e deixando-se acolher sem impor, é essencial para a fraternidade” e a “fraternidade é o ambiente necessário para passar da fragilidade à esperança”.

 

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