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A cerimónia de condecoração de Serafino Piras na Catedral de Tete. Luís Miguel Munõz Cardaba, Núncio Apostólico em Moçambique entregou a medalha em nome do Papa Leão XIV. Foto: DR

Condecorado com a “Medalha Pro Ecclesia et Pontifice”

Serafino deixou tudo para levar esperança a Moçambique

| 16/08/2026

 

O italiano Serafino Piras trocou a gestão da sua empresa em Milão pelo serviço gratuito em Moçambique. Prestes a completar 80 anos, este leigo missionário foi agraciado pelo Papa com uma das mais altas distinções pontifícias, em reconhecimento pelos seus 17 anos de dedicação ao povo moçambicano.

 

Serafino Piras, um leigo missionário italiano, recebeu a “Medalha Pro Ecclesia et Pontífice”, uma das mais altas condecorações concedidas pelo Papa a leigos e religiosos que prestam serviços relevantes à Igreja Católica. A cerimónia decorreu na Catedral de Tete e foi presidida por Luís Miguel Munõz Cardaba, Núncio Apostólico em Moçambique, que entregou a medalha em nome do Papa Leão XIV, perante todos os sacerdotes da diocese de Tete e uma numerosa assembleia de fiéis.

A distinção, concedida a 31 de março, resultou de um pedido especial apresentado por Diamantino Antunes, Missionário da Consolata e bispo de Tete. O prelado solicitou esta condecoração para “agradecer e fazer conhecer o trabalho social e religioso deste missionário leigo, que deixou tudo para servir os mais necessitados”, explicou o bispo a partir de Moçambique, em resposta às perguntas enviadas por email pela FÁTIMA MISSIONÁRIA (FM).

 

Serafino Piras, natural de uma vila da ilha da Sardenha, foi fundador e dirigente de uma empresa, sediada em Milão, dedicada à montagem de equipamento para aquecimento doméstico. . Foto: DR

Natural de uma vila da ilha da Sardenha, Serafino foi fundador e dirigente de uma empresa, sediada em Milão, dedicada à montagem de equipamento para aquecimento doméstico. Após a morte da sua esposa e depois de entregar a gestão da empresa aos filhos, decidiu mudar-se para Moçambique e dedicar-se ao serviço da Igreja e das comunidades locais. Está ao serviço da diocese de Tete, de forma totalmente gratuita, desde 2009. Foi em Moçambique que conheceu os Missionários da Consolata e onde se tornou um “grande amigo” desta congregação, como ele próprio afirmou em declarações à FM.

Prestes a completar 80 anos, recorda o que o levou a partir: “A razão que me levou a deixar tudo e ir para Moçambique foi sobretudo humanitária. Queria dar aos jovens, que são a maioria da população, a oportunidade de se educarem através da escola e do desporto”. Depois de alguns anos na Missão de Inhangoma, a partir de 2016 o leigo dedicou-se “inteiramente” ao serviço da diocese de Tete, “estando disponível para todo o tipo de serviços, sobretudo no setor da construção”. Ao fim de semana, dedica-se também à pastoral, “visitando e rezando nas comunidades cristãs”.

Serafino Piras

Serafino Piras no apoio às comunidades: “A razão que me levou a deixar tudo e ir para Moçambique foi sobretudo humanitária. Queria dar aos jovens, que são a maioria da população, a oportunidade de se educarem através da escola e do desporto”. Foto: DR

Ao longo dos anos, Serafino trabalhou na construção de escolas, centros de saúde e capelas, bem como na recuperação de edifícios religiosos de grande valor histórico, como as missões de Boroma e Miruro e o antigo seminário do Zobuè. O bispo de Tete sublinha que “as escolas e os centros de saúde ajudaram a levar a luz da educação e os cuidados médicos essenciais a comunidades isoladas, distantes destes serviços essenciais”. Por sua vez, “as capelas e o restauro de missões antigas contribuíram para revitalizar a vida e religiosa e social em lugares bastante esquecidos e periféricos”.

Sobre aquilo que o move, Serafino é claro: “A minha motivação é a gratuitidade – dar de graça aquilo que recebi de graça. São os valores cristãos, de justiça e caridade, que sempre me inspiraram e que me motivam a servir”. Destaca também as obras que mais o marcaram: “A edificação e apoio às escolas, dão-me a satisfação de ajudar as crianças a ter um futuro melhor. Sinto também um grande contentamento pela reabilitação de lugares históricos da diocese de Tete, como o seminário do Zobuè e as missões de Boroma e Miruro, em reconhecimento do trabalho árduo dos primeiros missionários e para os colocar novamente ao serviço das populações, tanto no âmbito religioso como social.”

Serafino Piras

Serafino apoia na construção: “Acho que consigo despertar nas comunidades energias que estão desaproveitadas por falta de união e organização. As pessoas colaboram nas nossas obras e sentem-se responsáveis. Também percebo que, com boa vontade, é possível fazer muito com pouco”.. Foto: DR

No momento da entrega da medalha, Serafino tinha ao seu lado o filho Leonardo, que viajou de Itália em nome da família para testemunhar aquele momento. “Senti uma grande alegria. A condecoração é também um reconhecimento da ajuda dada pela minha família e amigos. Gostaria que isto despertasse noutros o desejo de servir as pessoas mais necessitadas.”

Quanto aos efeitos do seu trabalho, o leigo italiano não hesita: “O impacto é positivo. Acho que consigo despertar nas comunidades energias que estão desaproveitadas por falta de união e organização. As pessoas colaboram nas nossas obras e sentem-se responsáveis. Também percebo que, com boa vontade, é possível fazer muito com pouco”.

 

Texto publicado no âmbito da parceria 7MARGENS/Fátima Missionária.

 

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