O Papa apelou este domingo, no Santuário de Lourdes, em França, à valorização da vida em todas as suas fases, numa crítica indireta à recente legalização da eutanásia no país.
“Perante as correntes atuais que procuram redefinir o valor da vida humana face à doença, ao sofrimento ou à velhice, a gruta de Massabielle ergue-se como um santuário da esperança cristã”, disse Leão XIV, durante a homilia da Missa celebrada no santuário mariano, citado pela agência Ecclesia.
A nova legislação foi aprovada a 15 de julho pela Assembleia Nacional francesa, após um longo percurso legislativo, tendo sido validada no início de agosto pelo Conselho Constitucional e foi promulgada por Emmanuel Macron, em 13 de agosto.
De acordo com o relato da agência Vatican News, o Papa reconheceu que, diante de determinadas doenças e de dores por vezes terríveis, o horizonte pode parecer “sombrio, incerto, sem saída”. No entanto, afirmou que nenhuma lei humana deve fazer com que uma pessoa perca a certeza da própria dignidade. “Não é possível aceitar como algo normal tirar a vida. O que é legal não é necessariamente moral”, advertiu. “A pessoa humana é ‘digna’ simplesmente porque existe e tem como fim a eternidade. A sua dignidade não se mede nem se discute.”
A intervenção, perante milhares de pessoas, sublinhou que os doentes assumem um papel “insubstituível” na Igreja, convidando-os a viver num espírito de oferta “para entrar neste caminho redentor de que o mundo tanto necessita”.
“Aqui, nenhuma fragilidade é rejeitada. As vossas muletas, as vossas cadeiras de rodas, as vossas lágrimas escondidas não são obstáculos: são o lugar por excelência onde sois plenamente respeitados, acolhidos e transcendidos pelo amor infinito de Deus”, referiu o pontífice.
Leão XIV insistiu nesta ideia: “Lourdes é o lugar abençoado de uma profissão de fé na beleza e na sacralidade da vida, pois aqui ela é acolhida como um dom precioso de Deus, chamada a desabrochar para a eternidade no amor do Pai.”
O Santuário de Lourdes assumiu-se como um dos principais centros de peregrinação mundial desde as aparições marianas a Santa Bernadette Soubirous em 1858.

Na noite de sábado, dia 26, o Papa Leão esteve em oração na Gruta das Aparições de Massabielle. Foto @ Vatican Media.
O Papa citou as mensagens transmitidas pela Virgem Maria, destacando que a “verdadeira felicidade” está reservada para a eternidade. “Enquanto a felicidade aqui na terra é uma realidade efémera, relativa e, por vezes, infelizmente inacessível para alguns, a verdadeira felicidade é prometida a todos, na esperança, e deve ser o principal objeto da nossa busca, dos nossos esforços e das nossas escolhas”, concretizou.
A celebração eucarística decorreu no espaço exterior do Santuário, completamente lotado, após o Papa ter percorrido o recinto em viatura aberta para saudar a multidão. “Levai o consolo de Lourdes aos vossos vizinhos, aos vossos entes queridos e a todo o povo francês”, recomendou Leão XIV.
A intervenção apelou à transformação dos corações humanos, num mundo que “vai mal”. “Como não se sentiriam interpelados os nossos corações perante os conflitos cada vez mais generalizados, que destroem tantas vidas inocentes?”, questionou o pontífice.
A reflexão incidiu ainda sobre os apelos à conversão e à penitência, que marcam a mensagem de Lourdes, uma exigência que envolve a própria comunidade católica, “para curar as feridas profundas, as infidelidades e os dolorosos desvios cometidos no seu seio”. “Devemos submeter-nos humildemente ao olhar purificador do Senhor”, reconheceu o Papa.
A missa contou com leituras e orações em várias línguas, para sublinhar a dimensão internacional do Santuário: italiano, espanhol, ucraniano, inglês, alemão, neerlandês e árabe. Não partireis de Lourdes como chegastes: partireis como missionários da esperança”, exortou Leão XIV na conclusão da homilia.










