A Universidade do Minho apelou diretamente ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, para que seja agilizado o pedido de vista do estudante palestiniano Mahmoud Abushehada, que foi aceite no mestrado em Biomedicina daquela universidade, e não consegue sair de Gaza, por causa do bloqueio imposto pelo Estado de Israel.
Numa decisão unânime, o Conselho Geral da Universidade do Minho, que reuniu na sexta-feira, dia 16 de outubro, “manifesta a sua profunda preocupação com as dificuldades administrativas em concretizar a saída de Gaza do nosso aluno, Dr. Mahmoud Abushehada, aceite no Mestrado em Biomedicina da Escola de Medicina da Universidade do Minho”.
No texto, a que o 7MARGENS teve acesso, refere-se que “o aluno foi aceite com uma média de 17,5 valores, e a direção do curso já repetidamente sublinhou o grande interesse que tem no seu perfil académico e vasta experiência clínica”.
Esta medida do órgão de topo da Universidade do Minho e tomada por uma rara unanimidade visa diretamente o titular do Palácio das Necessidades. “A informação que dispomos indica que os serviços do Ministério dos Negócios Estrangeiros terão solicitado ao Dr. Mahmoud Abushehada que se desloque pessoalmente a Ramallah ou, excecionalmente, ao Cairo, para os procedimentos administrativos relacionados com a obtenção do visto, deslocação que, nas condições atuais em Gaza, é manifestamente impossível concretizar”, argumenta o Conselho Geral.
Este não é o primeiro caso que afeta estudantes palestinianos colocados em universidades portugueses e que se veem impedidos de frequentar o ensino superior em Portugal por o Ministério dos Negócios Estrangeiros se refugiar em questões burocráticas, que obrigam à presença física num consulado ou embaixada do requerente de visto, e parecendo ignorar o bloqueio que Israel impõe à circulação dos habitantes de Gaza. O consulado português situa-se a Ramallah, no território ocupado da Cisjordânia, que não tem ligação territorial à Faixa de Gaza.
É neste contexto que o Conselho Geral “manifesta esta preocupação ao Senhor Ministro dos Negócios Estrangeiros e solicita-lhe a rápida agilização da concessão do visto de modo que o nosso aluno possa deslocar-se em tempo útil para a Universidade do Minho e iniciar o curso em que foi aceite”.
O órgão da universidade solicita ainda ao reitor “que prossiga o desenvolvimento de todas as diligências relevantes para a resolução deste assunto, cumprindo assim o dever que a Universidade tem relativamente ao acolhimento e proteção de todos os seus alunos”.










