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Construção de uma Igreja como espaço de cura também foi considerada uma prioridade fundamental, refletindo os apelos para que a Igreja responda às situações de pessoas que foram excluídas, abusadas, feridas ou magoadas. Na imagem, as ruínas do Mosteiro de Clonmacnoise, no centro da Irlanda. Foto © António Marujo/7MARGENS

Papel das mulheres entre propostas

Ministério da escuta, catequese e doutrina social da Igreja em destaque na assembleia sinodal da Irlanda

| 18/10/2026

 

O papel das mulheres foi um dos pontos de mais destaque nas votações que ocorreram este sábado na assembleia sinodal nacional da Igreja da Irlanda, que reuniu mais de 300 delegados, em Gormanston, no condado de Meath, para analisar propostas relativas à orientação futura da Igreja em temas como os ministérios, a família, cura, mulheres e jovens.

As propostas submetidas a votação constam de um documento de trabalho de 72 páginas, intitulado Is not this what God asks of you? [Não é isto o que Deus pede de vós?], que serviu para a preparação e discernimento dos delegados, em diálogo com as paróquias, movimentos e comunidades de onde provinham, no âmbito do que ficou conhecido como “o caminho sinodal irlandês”, que se prolongou por cinco anos.

Sobre cada proposta, os delegados – leigos e leigas, religiosas e clero – foram solicitados a escolher entre quatro opções: “recomendo vivamente”, “recomendo”, “requer mais discernimento” e “não recomendo”.

Os resultados de cada votação não foram ainda oficialmente divulgados no site do “Caminho Sinodal” até este domingo, 18 de outubro. Recorremos, por isso, à reportagem sobre o encontro, realizada pelo RTE – serviço público de media da Irlanda, que não é, obviamente, um relato completo.

As propostas com apoio mais enfático relacionam-se com a revisão da oferta de catequese e da preparação para os sacramentos, a começar pela confirmação (recomendada vivamente por 69 por cento dos dos delegados); um ministério de escuta, acolhimento e participação nas dioceses e paróquias (63 por cento); e a aposta na doutrina social da Igreja como apoio ao envolvimento dos católicos no diálogo com a sociedade irlandesa na busca do bem comum (63 por cento).

A construção de uma Igreja como espaço de cura também foi considerada uma prioridade fundamental da Assembleia, refletindo os apelos para que a Igreja responda às situações de pessoas que foram excluídas, abusadas, feridas ou magoadas. 67% dos delegados enfatizaram a necessidade de que a escuta seja acompanhada de ações concretas para apoiar os afetados. Propostas relacionadas com apoio a peregrinações e encontros de jovens e uma estratégia nacional para conteúdo online voltado para os jovens também receberam forte apoio.

Relativamente às mulheres, apesar de elas terem sido consideradas uma das sete grandes prioridades da Igreja irlandesa, na assembleia pré-sinodal, as votações das propostas com elas relacionadas foram bastante mais fracas.

A proposta nº 6 do documento de trabalho começava por propor a criação, no âmbito da Conferência Episcopal, de um serviço nacional voltado para a promoção da inclusão das mulheres em todos os níveis da vida eclesial. A votação deu 55 por cento dos delegados a escolherem “não recomendo”.

Uma outra proposta sugeria que a Irlanda defendesse que a questão do ministério feminino, incluindo o diaconado, continuasse a ser explorada. Recomendaram vivamente este caminho 42 por cento dos delegados, enquanto outros 12 por cento votaram “recomendo”, 19 por cento entenderam que ele exige maior discernimento. Por outro lado, 27 por cento não a recomendaram, o que foi o segundo maior nível de rejeição que se registou nas votações da Assembleia.

Outra proposta relacionada com o papel das mulheres propunha que a Igreja da Irlanda explorasse no seu seio aspetos propostos no ponto 60 do Documento Final do Sínodo sobre a Sinodalidade. Esse ponto alude aos obstáculos ao reconhecimento dos dons, vocação e contribuição para a vida da Igreja das mulheres, à sua igual dignidade através do batismo e à exigência (inclusive no direito canónico) de maiores oportunidades para que elas exerçam a liderança. Esse texto afirma ainda que a questão do acesso das mulheres ao diaconato permanece aberta a uma análise mais aprofundada.

Sobre esta matéria, a proposta recebeu 41 por cento de respostas “recomendo vivamente” e 17 por cento de respostas “recomendo”. Cerca de 22 por cento entenderam que o assunto merece mais discernimento e 20 por cento optaram pela oposição.

Segundo a notícia da RTE, o presidente da Conferência Episcopal Irlandesa, Eamon Martin, afirmou que algumas das recomendações feitas na Assembleia deste sábado poderiam ser implementadas de forma fácil e rápida, enquanto outras exigiriam maior planeamento, mobilização de recursos e pessoal.

 

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