A Nigéria tornou-se na terça-feira, 20 de outubro, o quinto país africano a confirmar um teste positivo para o vírus ébola no seu território. O surto que assola a República Democrática do Congo, onde já fez mais de 4.400 vítimas, ter-se-á espalhado também para o Quénia, o Uganda e a República Centro-Africana.
As autoridades do Uganda afirmam que o país está livre do vírus, mas a mulher em quem ele foi detetado na Nigéria viajou do Uganda. Um responsável do centro de controlo de doenças da União Africana confirmou que a letalidade desta estirpe de ébola atinge os 50 por cento dos infetados.
De acordo com informações recolhidas pelo The Guardian, a mulher em causa terá começado por apresentar sintomas no dia 7 de outubro e foi internada num hospital da capital Abuja quatro dias depois, onde foi diagnosticada com ébola. O jornal acrescenta que “não está claro quando terá chegado à Nigéria, o país mais populoso da África”, mas “o Ministério da Saúde de Uganda informou que a paciente apenas passou por Uganda e que se trata de uma mulher nigeriana que estava numa viagem de negócios na região leste do Congo” e que “o trânsito pelo Uganda não permite concluir que a infeção tenha ocorrido no país”.
Recorde-se que o Quénia confirmou o seu primeiro caso de ébola no início deste mês e que, desde então, registou nove infeções. Por outro lado, o jornal Africa News revelava em notícia datada de 21 de outubro que novos casos de infeção tinham sido detetados numa província da República Democrática do Congo perto da fronteira com a República Centro-Africana, sendo expectável que o vírus já tenha contaminado pessoas neste país.
Os efeitos conjugados do avanço imparável das infeções pelo vírus ébola e da prolongada violência armada das guerrilhas que devastam o leste da República Democrática do Congo foram analisados em notícia do 7MARGENS desta terça-feira, 20 de outubro.
Jean Kaseya, diretor-geral dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças da África – uma organização que integra os organismos da União Africana – afirmou que “estamos a enfrentar uma ameaça extremamente grave”, com uma taxa de letalidade de quase 50% dos casos. Aquele especialista lembrou também que “este surto de ébola da estirpe Bundibugyo já se tornou o mais geograficamente abrangente da História, afetando diversos países espalhados por três regiões da África”.
Também a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera este surto de ébola como o de propagação mais rápida já registado e capaz de superar o mais letal da história — aquele que, entre 2014 e 2016, na África Ocidental, provocou a morte de 11.000 pessoas. Para esta estirpe de ébola não existe vacina nem tratamento. A OMS tornou público que um primeiro ensaio clínico com o objetivo de obter uma vacina deve começar na República Democrática do Congo até ao final deste mês.










