Bispos pedem a cientistas para não fazerem dos quenianos “cobaias”
O Quénia foi o país escolhido para desenvolver diversos ensaios clínicos no âmbito de uma investigação da Organização Mundial de Saúde com o objetivo de encontrar a cura para a covid-19. Os bispos católicos do país estão apreensivos com a decisão e pediram aos cientistas que sigam rigorosamente os procedimentos de segurança, de modo a garantir que as pessoas não sejam transformadas em “cobaias”.
“Eu não apoio testes em humanos para medicamentos e vacinas neste momento. Os testes devem começar com animais e, quando se souber que funcionam, podem ser administrados em seres humanos”, disse o bispo Joseph Ndembu Mbatia, presidente da comissão de saúde da Conferência Episcopal queniana, em declarações ao Catholic News Service, citado esta quarta-feira pelo jornal Crux.
Alguns cientistas quenianos irão juntar-se a investigadores internacionais para testar se determinados medicamentos antirretrovirais e antimaláricos podem ser usados para combater o novo coronavírus.
“Sabemos que há pressa em encontrar uma cura para a covid-19”, reconheceu por seu lado o bispo Dominic Kimengich, da diocese de Eldoret, na região oeste do país. Apesar da urgência, Kimengich sublinhou que é necessário garantir que “ninguém seja usado como cobaia” e defendeu que os testes “deveriam ser aplicados a pessoas de todas as partes do mundo.”
“Sugerir que os ensaios só podem ser realizados em africanos é usar as pessoas de uma maneira errada”, concluiu Mbatia.
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