“Não há paz sem justiça” – milhares contra o racismo em Portugal, na Europa e no mundo

A manifestação em Lisboa, no sábado, 6 de Junho, reuniu algus milhares de pessoas que desceram a Avenida Almirante Reis até à Praça do Comércio. Foto: Direitos reservados
Milhares de pessoas em muitas cidades: manifestações espontâneas ou organizadas marcaram este fim-de-semana pela Europa fora, contra o racismo, em solidariedade com a vaga de protestos que continua nos Estados Unidos, por causa da morte de George Floyd, um negro asfixiado por um polícia branco em Minneapolis.
Bristol, Budapeste, Madrid foram algumas das cidades que, neste domingo, se juntaram a muitas outras onde já tinham decorrido manifestações no sábado – incluindo Lisboa, Porto e Coimbra.
O jornal francês La Croix dá conta de um protesto em Madrid com cerca de três mil pessoas concentradas diante da embaixada dos EUA na capital espanhola, com frases como “não consigo respirar” – a frase que Floyd repetiu algumas vezes, a pedir socorro ao polícia – e “não há paz sem justiça”. Em Barcelona, Valência e no Norte do país houve também manifestações, conta o jornal.
“O racismo não tem fronteiras”, disse, citada pela mesma fonte, a tradutora espanhola de origem cabo-verdiana Leinisa Semedo, 26 anos, uma das pessoas que se manifestaram em Madrid. “Vivi na China, em Portugal e agora em Espanha e, em todos os países, fui discriminada por causa da cor da pele.”
Em Roma, uma manifestação espontânea, diz também o La Croix, reuniu milhares de jovens que se ajoelharam em silêncio durante nove minutos – o tempo em que Floyd esteve em agonia sob o joelho do polícia. Michael Taylor, originário do Botswana, esteve no protesto de Roma com a sua família, no meio de muitos imigrantes negros: “Sou um africano branco e sinto muitas vezes a desconfiança só porque sou estrangeiro”, disse à AFP. “Imagine o que seria se eu fosse negro.”
Morikeba Samate, senegalês de 32 anos, que chegou a Itália após uma perigosa travessia do Mediterrâneo, acrescentava: “É mesmo duro viver aqui. Pensam que somos todos ladrões.”
Também em Londres, apesar da interdição das autoridades e pelo segundo dia consecutivo, milhares de pessoas vieram à rua em protesto. Em Bristol (sudoeste de Inglaterra), cidade com um passado esclavagista, uma estátua do negreiro Edward Colston foi derrubada por manifestantes, segundo as imagens da BBC.
Bruxelas (Bélgica, cerca de 10 mil pessoas), Zwolle e Maastricht (Holanda), Lausana(Suíça), Copenhaga (Dinamarca, 15 mil pessoas), Gotemburgo (Suécia), Budapeste (Hungria, cerca de mil pessoas) foram outras cidades que se juntaram aos protestos. Na Alemanha, os jogadores de futebol de quatro equipas da Liga profissional ajoelharam no campo, antes de jogar a partida – o mesmo que Bayern e Dortmund já tinham feito na véspera.
No sábado, houve notícias de manifestações ainda na Austrália, Tunísia, França e Grã-Bretanha, com muitos manifestantes a denunciar o racismo no seu próprio país. Na Tailândia, as autoridades proibiram qualquer manifestação e um grupo de mais de 200 pessoas juntou-se numa conferência vídeo para ver filmes sobre o movimento “Black Lives Matter” (as vidas dos negros contam).
[related_posts_by_tax format=”thumbnails” image_size=”medium” posts_per_page=”3″ title=”Artigos relacionados” exclude_terms=”49,193,194″]









