
Biden prometeu reduzir as emissões americanas de gases com efeito de estufa entre 50% e 52% até 2030. Foto: Direitos reservados.
Tudo indica que os EUA tenham alcançado os objetivos que a administração Biden fixara no convite a 40 chefes de Estado para uma Cimeira do Clima: relançar os objetivos centrais dos acordos de Paris-2015; reestabelecer os EUA enquanto país-líder no combate às alterações climáticas; e preparar novos objetivos ambiciosos para a Cimeira COP26 que terá lugar em Glasgow em novembro deste ano.
A promessa de Biden de reduzir as emissões americanas de gases com efeito de estufa entre 50% e 52% até 2030 (tendo por base as emissões de 2005) foi, apesar de esperada, recebida com entusiasmo por vários ativistas do ambiente e por painéis de cientistas de renome internacional. Citados pelo jornal inglês The Guardian, os peritos do Climate Action Tracker consideram que este é “o maior contributo” até agora feito para “cumprir as metas do acordo climático de Paris de 2015 e manter o aquecimento global bem abaixo de 2 graus Celsius”. A redução anunciada pelos EUA não permite, no entanto, chegar ao objetivo mais ambicioso “de limitar o aumento de temperatura a 1,5 graus acima dos níveis médios de temperatura da era pré-industrial.” Para alcançar esta meta, garante o Climate Action Tracker, “os EUA precisariam de cortar as emissões entre 57% a 63% dos níveis verificados em 2005.”
As notícias vindas de outros Chefes de Estado intervenientes neste primeiro dia da Cimeira, que coincidiu com o Dia Mundial da Terra, foram menos entusiasmantes. A União Europeia apresentou o seu compromisso em cortar daqui até 2030 em 55% a emissão de gases com efeitos de estufa, mas a seu ano de referência é 1990 o que a coloca de acordo com vários cálculos em linha com a meta agora anunciada pelos EUA. Putin e Xi Jinping não anunciaram novas metas, enquanto Bolsonaro comunicou que o Brasil atingiria a neutralidade carbónica em 2050, uma década antes do atual compromisso, no que foi acompanhado pelo primeiro-ministro japonês, Yoshihide Suga que anunciou uma nova meta: reduzir até 2030 as emissões em 46% do que eram em 2013, muito acima dos 26% que anteriormente o Japão tinha assumido como objetivo. Boris Johnson reafirmou aquilo que o governo britânico já dissera na terça-feira, 20 de abril: a nova meta situa-se agora na redução, até 2035, das emissões em 78% relativamente aos níveis de 1990.
A China é o maior emissor de gases com efeito de estufa do mundo, seguido pelos Estados Unidos que são, contudo, o maior responsável no que toca à quantidade de CO2 emitido por habitante (17,6 toneladas em 2019). No rácio das emissões per capita a China ocupa o segundo lugar (10,1 toneladas) e a EU é terceira com 7,4 toneladas por habitante.
O segundo dia da cimeira pode ser seguido em direto neste endereço: https://www.youtube.com/watch?v=-wjkHVq1S9E
Espera-se que este segundo e último dia seja dominado pelo anúncio de medidas pró-ambientais de líderes de grandes companhias multinacionais.









