
Os Måneskin, com Damiano à direita, venceram o Festival Eurovisão da Canção. Foto: Direitos reservados.
“Não sou o professor que dizia aos Måneskin [banda que venceu o festival Eurovisão 2021, no sábado, 22] para estarem zitti e buoni [título da canção vencedora, que em tradução livre diz “cala-te e comporta-te bem”], fui apenas o professor de canto de Damiano David.”
A precisão é feita por Giacomo Campanile, docente de Religião no Liceu Eugenio Montale, em Roma – “estou aqui há 26 anos” – que pode afirmar que viu nascer e crescer musicalmente o vocalista do conjunto que pouco tempo antes tinha também arrebatado o primeiro prémio de uma das iniciativas musicais mais importantes de Itália, o festival de San Remo.
“Também não era o seu professor de religião, mas tive o prazer de inserir o Damiano naquela que considero uma criatura minha, o Pequeno Coro de Montale”, grupo que o docente, autodidata, guitarrista, autor e compositor inclusive de música sacra, começou em 1996.
Na história contada por Massimiliano Castellani, no Avvenire, Campanile acrescenta: “Aquele coro nasceu propositadamente para jovens como ele, porque compreendi que uma só hora de Religião não me permitia instaurar um diálogo mais amplo com as novas gerações, como, pelo contrário, consegui abrir com a arte – as visitas às basílicas de Roma, com o próprio Damiano sempre presente –, com a música e também com as redes sociais”, diz Giacomo Campanile.

O professor Campanile com um jovem Damiano. Foto: Direitos reservados.
Damiano acabou por enveredar pela música e deixar a escola. Desde que isso aconteceu, há cinco anos, o seu caminho levou-o para longe do seu professor. “Nunca mais o vi, mas ouvimo-nos e com os jovens do coro Montale enviámos-lhe, há tempos, um vídeo com uma paródia do seu sucesso Marlena, em que o nosso coro, no refrão ‘Marlena volta a casa’, canta ‘Damiano volta à escola!’. Ele divertiu-se muito a escutá-lo… Agora gostava que ele viesse aqui ao liceu para a cantar juntamente connosco, e nós haveríamos de o escutar – calados e bem-comportados.”
(A história pode ser lida na íntegra, em versão portuguesa, na página do secretariado católico da Pastoral da Cultura.)









