AGENDA

SOBRE NÓS

ASSINAR

APOIAR

Novo álbum de Jónsi

Obsidian, o país a que nunca fui mas por onde viajo muito

| 01/11/2021

Foto Direitos Reservados

 

No solstício do verão de 2016, no dia mais longo do ano, fui literalmente guiado pela Islândia: um carro equipado com uma câmara deu a volta à ilha pela route one, uma estrada da circunvalação pelo país todo. A viagem de 1332 km foi transmitida em direto durante 24 horas, numa emissão para a televisão islandesa e no youtube, com uma banda sonora criada a partir de um software que gerava música a partir do tema óveður dos Sigur Rós, reinventando indefinidamente sons para criar novas e imprevisíveis direções musicais em tempo real.

Nunca fui à Islândia, e gostava muito (talvez um dia). Mas tenho viajado muito pelo país, seja por aquela emissão de slow TV daquele dia de solstício, seja por culpa de Björk, Múm ou Ólafur Arnalds, entre outros nomes que me levaram tantas vezes pelas paisagens quentes e gélidas da Islândia.

Agora é Jónsi que nos convida para mais uma viagem. O também vocalista dos Sigur Rós trouxe-nos um disco novo, lançado de surpresa este sábado, dia 30, e — com a chuva e o vento lá fora — mergulhamos neste território frio, despido, cru e rugoso que a terra moldou no meio do Atlântico Norte. Em nome próprio, Jónsi não se afasta por completo do som dos discos do grupo que o revelou ao mundo, até porque o seu registo vocal o torna facilmente identificável, no entanto, há uma viagem sonora que nos agarra a outra terra, mais funda e ambiental, menos pop, por vezes quase industrial, mais feita de água e fogo.

O título do álbum, Obsidian, remete para o “vidro vulcânico natural formado quando a lava expelida de um vulcão arrefece rapidamente com um crescimento mínimo de cristais” — ou seja, trata-se de uma rocha ígnea, palavra de wikipedia. E é para essa atmosfera que nos leva o longo vídeo que Jónsi revelou neste mesmo sábado para acompanhar a audição do disco na íntegra, feito de formas etéreas, poeiras que dançam, partículas que se soltam, pedras que saltitam ou fragmentos que vão caindo, num espesso ecrã a preto e negro.

Este é no entanto um disco incandescente, com uma voz que tanto nos sussurra como plana sobre o calor gélido de sons que se desprendem das rochas de lava, de géiseres feéricos, de lagos que fervem, de montes que se despenham no mar, de uma estrada monótona que volteia a ilha — onde nunca fui, mas por onde continuo a viajar, também neste Obsidian. Lá fora, o vento faz bailar a chuva.

(Este texto foi inicialmente publicado no blogue Cibertúlia)

 

Últimas Notícias

Últimas Notícias

São João da Cruz: poesia e mística

Ano Jubilar de São João da Cruz (9)

São João da Cruz: poesia e mística novidade

Até Dezembro decorre o ano jubilar de São João da Cruz, celebrando o terceiro centenário da canonização e os 100 anos da sua proclamação como Doutor da Igreja Católica. O jubileu tem como lema “A esperança alcança tanto quanto espera” e propõe itinerários de renovação espiritual e mística. A propósito do ano jubilar, o 7MARGENS propõe mensalmente, aos dias 13/14 (assinalando o dia da sua morte, a 14 de Dezembro de 1591), um conjunto de textos do padre carmelita e teólogo Armindo Vaz. 

Padre Telmo Ferraz

[Entre Margens]

Padre Telmo Ferraz novidade

Resumidamente, o Padre Telmo Ferraz nasceu na aldeia de Bruçó, Mogadouro, na região de Trás-os-Montes. Pertencia à Diocese de Bragança e Miranda. Ordenou-se em 1951. Foi Pároco em algumas Paróquias da Diocese, trabalhando muito afincadamente na Barragem do Picote, onde desenvolveu uma pastoral muito humanitária junto dos operários. [Texto de Serafim Falcão].

7MARGENS é um jornal digital
de Religiões, Espiritualidades e Culturas

Propriedade de Associação Porta 18 [ACSFL]
R. da Páscoa, 12 – R/C Dtº – 1250-179 Lisboa | NIPC: 514 876 905
Redação Lisboa: Largo da Luz, 11, 1600-764 LISBOA
IBAN: PT50 0035 0675 0004 6941 7308 1 (CGD)

O 7MARGENS aceita e incentiva a colaboração escrita, em vídeo ou audio dos seus leitores.
Reserva-se o direito de os difundir ou não e aconselha que os textos não excedam os 4.000 caracteres.