AGENDA

SOBRE NÓS

ASSINAR

APOIAR

Armas nucleares, guerra, bomba

Carta pastoral

Arcebispo de Santa Fé pede fim da corrida nuclear actual, “mais perigosa do que a primeira”

| 12/01/2022

Parque Memorial da Paz de Hiroshima c F11 Photo

Parque Memorial da Paz de Hiroshima, no Japão. O arcebispo John C. Wester convida todos a rezar ao Deus da Paz e a pedir o dom do desarmamento nuclear. Foto © F11 Photo.

 

“Já não podemos negar ou ignorar a situação extremamente perigosa da nossa família humana e que estamos numa nova corrida ao armamento nuclear muito mais perigosa do que a primeira.” Quem o escreve é o arcebispo John C. Wester, de Santa Fé, Novo México (Estados Unidos), numa carta pastoral em que defende a eliminação de todas as armas nucleares e a necessidade de reflectir sobre a situação actual e a razão pela qual o mundo precisa urgentemente de iniciar agora o processo de desarmamento nuclear.

É preciso o “controlo das armas nucleares” e não “uma escalada da corrida às armas nucleares”, acrescenta o arcebispo, citado pelo La Croix International. John C. Wester recorda que Santa Fé tem um papel especial a desempenhar na questão, uma vez que ali estão os laboratórios de armas nucleares de Los Alamos e Sandia e que é também na região que se encontra o maior repositório de armas nucleares do país: a Base Aérea de Kirtland, em Albuquerque, igualmente no estado do Novo México. Foi em Los Alamos que se fabricaram as primeiras bombas nucleares, usadas em 1945 para destruir Hiroxima e Nagasáqui, no Japão. E foi ali, acrescenta o bispo, que depois de elas terem surgido, durante a Segunda Guerra Mundial, se começou a promover a paz e a trabalhar para abolir tais armas, iniciando discussões sobre alternativas aos preparativos para a guerra.

A carta leva o título “Viver à Luz da Paz de Cristo: Uma Conversa Rumo ao Desarmamento Nuclear” e foi publicada nesta terça-feira, 11 de Janeiro (pode ser lida na íntegra, em inglês, na página da diocese).

“Convido-nos a todos a rezar ao Deus da Paz e a pedir o dom do desarmamento nuclear. Convido-nos a virarmo-nos uns para os outros em paz e a falar e ouvir-nos uns aos outros sobre o desenvolvimento contínuo destas armas e sobre como podemos terminar o trabalho de preparação da guerra nuclear [para criar] uma nova cultura de paz e não-violência onde todos possamos aprender a viver em paz como irmãs e irmãos neste belo planeta, a nossa casa comum”, escreve o arcebispo.

Diante das crescentes e actuais ameaças da Rússia, China e outros países, o arcebispo diz que uma corrida às armas nucleares irá sempre perpetuar-se a si mesma numa espiral viciosa que provoca acções e reacções progressivamente desestabilizadoras de todas as partes. Mas se as preocupações centrais forem a humanidade, o planeta, o Deus da paz e da consciência humana, “então temos de iniciar uma conversa pública sobre estas questões urgentes e encontrar um novo caminho para o desarmamento nuclear”.

 

Um “momento crucial da nossa história”

A Associação de Padres Católicos dos EUA (AUSCP), que engloba cerca de 1.200 padres, veio imediatamente a público apoiar a carta do arcebispo de Santa Fé. Fundada em 2011, a AUSCP pretende inspirar-se nos ensinamentos do Concílio Vaticano II (1962-65) e ajudar à sua contínua implementação. No comentário publico, ainda de acordo com o La Croix, a associação informa ter colocado o seu grupo de trabalho sobre a não-violência evangélica a reflectir sobre acções que a AUSCP poderia tomar para se juntar ao compromisso do arcebispo e alargar o apoio entre os bispos americanos.

“Estamos profundamente gratos pela coragem profética do arcebispo Wester ao publicar esta carta pastoral não só para a nossa comunidade católica mas para toda a comunidade humana neste momento crucial da nossa história”, afirmou o padre John Heagle, presidente do Grupo de Trabalho sobre a não-violência evangélica.

O arcebispo Wester afirmou entretanto ao jornal local Los Alamos Reporter, conta ainda o La Croix International, que esteve já no Japão e viu a devastação causada pelas armas produzidas no Novo México. E justificou a razão de ter publicado agora o documento: “Os laboratórios nacionais de Los Alamos começam já a receber dinheiro do governo federal para construir estes novos núcleos de minas para as bombas nucleares e estão agora a expandir-se e vários dos escritórios foram abertos em Santa Fé.”

A carta pastoral de 52 páginas do arcebispo cita o Papa Francisco, que várias vezes apelou à eliminação das armas nucleares. Na sua visita a Nagasáqui e Hiroxima, no Japão, em 2019, o Papa condenou “a utilização da energia atómica para fins militares”, chamando-lhe “um crime não só contra a dignidade dos seres humanos mas contra qualquer futuro possível para a nossa casa comum”. E acrescentou que mesmo a mera “posse de armas atómicas” é “imoral”.

O Vaticano foi dos primeiros Estados, juntamente com a Tailândia e a Guiana, a ratificar o tratado anti-nuclear da ONU em Setembro de 2017.

 

Últimas Notícias

Últimas Notícias

Pai Telmo: homem de testemunho eloquente

Evocação

Pai Telmo: homem de testemunho eloquente novidade

A morte e a noite caíram sobre nós demasiado depressa com a notícia do falecimento de Pai Telmo. Os seus 100 anos foram um sopro veloz que não deixou ninguém indiferente e a sua dedicação à Igreja dos mais pobres uma brisa que suavizou muitas dores. [Texto de padre José Alfredo].

Identidade e missão do professor de EMRC na escola

Ensaio

Identidade e missão do professor de EMRC na escola novidade

A identidade e a missão do professor de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) na escola pode ser vista sob múltiplos pontos de vista; porém, desejo fazê-lo a partir de três palavras ou pilares que considero substanciais. Estruturo esta reflexão a partir do “habitar-se”, do “habitar com” e do “habitar o ainda não”. [Texto de Adriano Batista, intervenção no Simpósio sobre a Educação e Escola em Portugal].

As cápsulas

[Sete Partidas]

As cápsulas novidade

No radio do carro tocava um CD da Rosalía e comecei a pensar no que já me disseram sobre o meu carro, pequeno e velho, dito em várias variações. Não levo a mal. É verdade, mas tem tudo o que preciso. Abrigo do sol, do frio, da chuva e da neve. Confiável. Riscado e muitas vezes sujo por fora, mas por dentro limpo e arrumado. Um pouco na ordem como valorizo as coisas na vida. Menos ostentação, mais conteúdo. [Texto de Inês Patrício, Berlim].

7MARGENS é um jornal digital
de Religiões, Espiritualidades e Culturas

Propriedade de Associação Porta 18 [ACSFL]
R. da Páscoa, 12 – R/C Dtº – 1250-179 Lisboa | NIPC: 514 876 905
Redação Lisboa: Largo da Luz, 11, 1600-764 LISBOA
IBAN: PT50 0035 0675 0004 6941 7308 1 (CGD)

O 7MARGENS aceita e incentiva a colaboração escrita, em vídeo ou audio dos seus leitores.
Reserva-se o direito de os difundir ou não e aconselha que os textos não excedam os 4.000 caracteres.