
Nas fotos de Luís Almeida, é possível encontrar as crianças de algumas das nove “escolinhas” criadas e geridas pela AFIM. Foto © Clara Raimundo / 7MARGENS.
Numa sala luminosa com vista para o Atlântico, o que se destaca não é o azul que dizem ser único do mar da Ericeira, mas o preto e branco das fotos de Luís Almeida e o que elas mostram de um país banhado por outro oceano. A Casa de Cultura Jaime Lobo e Silva acolhe até ao dia 9 de outubro a exposição fotográfica “Um Olhar de Luís Almeida – Ilha de Moçambique”, que dá a conhecer a associação Ajuda Fraterna à Ilha de Moçambique (AFIM), sediada em Mafra, e o trabalho que esta tem vindo a desenvolver desde 2001.
São ao todo 20 as imagens expostas, captadas pela lente de Luís Almeida. O fotógrafo, que tem também vasta experiência como professor e é voluntário da AFIM, selecionou-as entre as milhares que já tirou nas diversas vezes que foi em missão para Moçambique.
Nelas, é possível encontrar as crianças de algumas das nove “escolinhas” criadas e geridas por aquela organização sem fins lucrativos, ver o brilho nos seus olhos ao descobrir as primeiras letras e números, ou fazer-lhes companhia enquanto comem o seu prato de papa, que para muitas é a única refeição do dia.
O projeto das “escolinhas”, que abrange cerca de 500 crianças dos 3 aos 7 anos, é apenas um entre os vários desenvolvidos pela AFIM. A instituição, fundada pelo padre António Teixeira, capelão militar e frade franciscano, apoia o funcionamento do Lar São Francisco Xavier, também na Ilha de Moçambique, que dá abrigo, alimenta e garante frequência escolar a uma média de 30 jovens entre os 13 e os 19 anos. Além disso, ajuda estudantes universitários com o pagamento de matrículas e outras despesas, e com a atribuição de bolsas de estudo.
Entre os projetos da AFIM, incluem-se ainda a distribuição de medicamentos aos mais pobres, o apoio financeiro a intervenções cirúrgicas efetuadas nos hospitais de Monapo e Nacala, a ajuda na aquisição de equipamentos agrícolas e na construção e recuperação de palhotas, entre outros.
Estes projetos serão financiados, também, com os donativos decorrentes da exposição. As 20 imagens, impressas em papel fotográfico de alta qualidade e com certificado de autenticidade, foram doadas por Luís Almeida à AFIM, e podem desde já ser reservadas para aquisição após a exposição terminar.






