A comunicação social originou os maiores confrontos, durante e após o PREC, entre a hierarquia da Igreja Católica e vários Governos. Mas nem sempre por causa dos jornais diocesanos e dos boletins paroquiais que foram a sua voz mais dileta – sustentou o jornalista e investigador Alexandre Manuel na sua intervenção no colóquio Liberdade de imprensa: revolução e democracia em Portugal, organizado pelo Centro de Estudos de História Religiosa em parceria com o 7MARGENS.
Independentemente do número alargado das publicações católicas ditas regionais, algumas com tiragens de milhares de exemplares, talvez não seja exagerado dizer-se que, nos dias do PREC, a imprensa da Igreja era, sobretudo, constituída por jornais diocesanos (maioritariamente semanários) e boletins paroquiais que, a par dos púlpitos e da Rádio Renascença, constituíam o seu principal meio de comunicação.
Como escreveram Maria Inácia Rezola e Medeiros Ferreira, exceptuando ocasionais “desencontros”, ainda que com algum significado e dimensão, as mudanças operadas com o 25 de Abril não registaram qualquer confronto insanável entre o poder político-militar e a Igreja. Nem mesmo quando em causa estiveram questões importantes como a indissolubilidade do casamento católico à luz do Direito Civil, a revisão da Concordata ou as aulas de Educação Moral e Religiosa. E isto apesar da publicação de textos “incendiários” em várias publicações regionais da Igreja ou a ela ligadas.
Curiosamente, alguns dos maiores confrontos aconteceram por causa da comunicação social. Com destaque para o “caso Renascença” que, na sequência da destruição à bomba dos seus emissores, provocou mesmo a criação, por parte de católicos, apoiados por hierarcas, de uma “frente” destinada a contestar o poder político vigente.
Findo o PREC, foi também em redor da comunicação social que se registaram alguns dos maiores confrontos entre os poderes político e religioso.
Assim aconteceu, por exemplo, a propósito da denominada “guerra das frequências”, com a Renascença a ocupar, uma vez mais, o centro da polémica, uma polémica que assumiu mesmo o tom de cruzada.[1] Assim aconteceu igualmente com a TVI que, de acordo com o previsto por muitos, cedo abandonou a sua matriz inicial de “televisão de inspiração cristã” pautada pelos “valores fundamentais da pessoa humana”, ou ainda em relação ao instituto do porte pago que, além de não ter atingido os objectivos programados (o estímulo à leitura), virou incentivo “à fraude e à preguiça”, afectando projectos profissionais.
Neste caso, a maior contestação partiu do próprio Secretariado Nacional das Comunicações Sociais que, em comunicado, considerou que tal corte, ao pôr em causa os mais de 400 títulos católicos que dele beneficiavam, significava que a Igreja se havia transformado numa “espécie de inimigo secreto”.
Multiplicaram-se, então, os ataques ao primeiro-ministro (António Guterres) e ao responsável pela Comunicação Social (Alberto Arons de Carvalho), com jornais a colocarem tarjetas negras na primeira página, onde se podia ler: “Estamos de luto – o Governo quer matar a imprensa regional”. Só que, como, na ocasião, denunciou o padre-jornalista Manuel Vilas Boas, o que os bispos classificavam de acto de justiça, era, em muitos casos, o Estado a pagar “pura propaganda confessional”.
Os silêncios do Novidades…

‘Dito “oficioso”, sempre foi, no entanto, olhado como porta-voz do episcopado, sobretudo a partir do momento em que o Cardeal Cerejeira considerou que atacar o Novidades, “mais do que coisa ‘insolente’, era equivalente a atacar a própria Igreja”.’ Foto: Arquivo Rádio Renascença.
Recorde-se, entretanto, que, no dia 4 de Maio de 1975, o Novidades já tinha suspendido a sua publicação, sem que, ao longo dos seus 49 anos, quatro meses e 32 dias de existência, tenha conseguido concretizar os objectivos inicialmente anunciados: ser “um grande diário católico, financeira e doutrinalmente independente”.
Dito “oficioso”, sempre foi, no entanto, olhado como porta-voz do episcopado, sobretudo a partir do momento em que o Cardeal Cerejeira considerou que atacar o Novidades, “mais do que coisa ‘insolente’, era equivalente a atacar a própria Igreja”.
Além de ignorar por inteiro qualquer iniciativa dos chamados “católicos progressistas” ou as opiniões de membros da hierarquia (padres e bispos), quando críticas do Salazarismo, aquele jornal, hábil na gestão dos silêncios, prestava pouca atenção a actos ou documentos da Santa Sé, se “malquistos do Regime”. Assim aconteceu, por exemplo, com a encíclica Pacem in Terris, de João XXIII; a propósito da deslocação de Paulo VI a Bombaim, para presidir ao Congresso Eucarístico, ou sobre a intervenção daquele mesmo Papa na ONU (Outubro de 1965), onde apelou ao desarmamento e à paz e denunciou o colonialismo.
Entre nós, referência para o denominado “Caso do Bispo do Porto”, cuja campanha de desacreditação passou pelas páginas do Novidades, através, designadamente, da sua “arte” do silêncio. Foi assim, por exemplo, que se esqueceu de noticiar (uma atitude, por muitos, classificada de “inqualificável”) o regresso de D. António Ferreira Gomes a Portugal, após um exílio forçado de 10 anos.[2]
…ao incómodo da Flama

“Criada (1937) para ser porta-voz da JEC, a sua transformação em “revista de actualidades” aconteceu em 1960, sob a direcção de Silva Costa e Pedro Tamen” Foto: Site Ephemera, arquivo de José Pacheco Pereira
Já antes, ou seja, em 1972 (e não depois do 25 de Abril como alguns, distraidamente, continuam a afirmar), a União Gráfica se tinha “libertado” da revista Flama, apesar de, segundo António Rego, se estar perante a “experiência mais positiva da Igreja” neste campo: e não apenas em termos de aceitação pública, mas por se ter constituído em uma verdadeira escola de jornalismo. Foi aí, de facto, que, chegado à profissão (1969), me cruzei com alguns dos maiores jornalistas da minha geração [3].
Criada (1937) para ser porta-voz da JEC, a sua transformação em “revista de actualidades” aconteceu em 1960, sob a direcção de Silva Costa e Pedro Tamen, tendo prosseguido com António Reis, antigo jornalista do Novidades e ex-aluno do Seminário dos Olivais que, em Roma, frequentou um curso de comunicação na Universidade Pro Deo.
Estava-se, então, segundo Pedro Tamen, no “talvez mais conservador período da Igreja e do Estado Novo”, perante chefes políticos e hierarcas eclesiásticos surpresos pelo atrevimento de uma revista que pretendiam (e julgavam) controlada. E, assim, enquanto a censura se comprazia em retalhar prosas e eliminar fotos, a hierarquia exercia pressão sobre os seus responsáveis, através da administração da empresa proprietária, a União Gráfica.
De acordo com Fernando Correia e Clara Baptista, em causa esta uma revista que, dentro dos condicionalismos da época, praticava um jornalismo aberto, independente e de qualidade. A par da Vida Mundial e do Século Ilustrado, esteve, de facto, na “linha da frente da renovação do jornalismo português nos anos 70”: na “valorização da reportagem”, no modo de “olhar” o internacional, no tratamento dado a questões académicas, à Cultura e às Ciências Sociais; na “maturidade jornalística” da reportagem fotográfica ou ainda no aspecto gráfico, com muitos a considerarem que as suas capas ombreavam com as da norte-americana Life ou da francesa Paris-Match [4].
Curiosamente, foi na Flama que o Cardeal Cerejeira sofreu, pela primeira vez, os ditames da Censura.[5] Aconteceu a propósito de uma entrevista – a sua última – que me concedeu em Maio de 1973. Vivia, então, na Casa do Bom Pastor, na Buraca (arredores de Lisboa), onde se acomodou após Paulo VI ter aceitado o seu pedido de resignação.
De referir, a propósito, que, quanto a mim, a história da Flama, além de quase esquecida, continua, quando evocada, a ser geralmente mal contada. Ignora-se, no caso, a afirmação de Homero Cardoso, que foi seu director comercial, quando considera que, ao contrário do que tem sido dito (e redito), não foram razões financeiras, mas sobretudo políticas que ditaram a venda da revista. Consciente, segundo ele, de que qualquer tentativa de “recuperação” do seu controlo lhe poderia “causar enormes engulhos”, a Igreja libertou-se de “um problema” e ainda recebeu algum “dinheiro em troca”.
Padres sim, mulheres não

“Perante o facto de, na ocasião, ainda perdurar muito do antigo contencioso entre a hierarquia e os media (uma “desconfiança ancestral” que teimava em permanecer), havia, no entanto, quem alertasse para a impossibilidade de a Igreja enfrentar os “novos tempos” sem a acção da comunicação social.” Foto: Igreja Açores. DR
Assim, arrumado o problema que tinha sido a Flama, posta de lado uma eventual “ressurreição” do Novidades [6] e confirmado o equívoco Nova Terra, que, sem um projecto editorial e incapaz de, segundo Fernando Cristóvão, seu director-adjunto, “jogar o jogo dos media” e dar uma resposta adequada aos sinais dos tempos, a Igreja passou a prestar maior atenção aos semanários diocesanos, até porque, na opinião de Salgado de Matos, se tolhidos estes e os boletins paroquiais, a sua acção perderia bastante eficácia.
Perante o facto de, na ocasião, ainda perdurar muito do antigo contencioso entre a hierarquia e os media (uma “desconfiança ancestral” que teimava em permanecer), havia, no entanto, quem alertasse para a impossibilidade de a Igreja enfrentar os “novos tempos” sem a acção da comunicação social. E, na ocasião, a imprensa regional era a que estava mais à mão. Talvez mesmo a única.
Tudo isto apesar de, às deficiências registadas na generalidade dos jornais ditos “de proximidade”, onde, de acordo com Mário Mesquita, um “discurso grandiloquente” contrastava com uma “realidade paupérrima”, muitos dos semanários diocesanos ajuntarem ainda uma paradoxal limitação de informação local, privilegiavam a apologética ao acontecimento e tendiam, com frequência, a confundirem o discurso do altar (e o da própria sacristia) com o discurso dos media.
De facto, a informação veiculada por grande parte desses media estava longe de responder aos mínimos que, segundo Andrés Romero, deviam presidir ao jornalismo regional: ser “porta-voz” e pioneiro na luta pela promoção e “desenvolvimento” da sua terra; atender às aspirações e necessidades dos cidadãos, a nível individual e colectivo, e veicular a região ao “mundo”, mas sem nunca renegar as suas raízes.
Ao contrário de algum arejamento registado por ocasião do Vaticano II, no 25 de Abril, as alterações ocorridas na generalidade dos media, passaram bastante ao lado da imprensa de inspiração cristã (a, então, “boa imprensa”, em oposição à outra, a má!), onde, em muitos casos, continuaram a imperar os tiques do passado. A ponto de haver quem, no interior da própria Igreja, alertasse preocupadamente para o facto de esses males poderem prejudicar a eficácia apostólica.
Havia realmente bastantes a ignorar o alerta do jornalista e professor universitário Manuel Pinto, quando considerava que não era por ser do âmbito religioso que um assunto era jornalisticamente melhor ou pior, mas tão-somente por ser jornalisticamente relevante.
Apesar do discernimento e da boa-vontade de alguns, o facto é que o amadorismo, a incapacidade, a resistência ou tão simplesmente o comodismo continuavam a marcar presença regular em muitos desses semanários. Assim, informar sobre a Igreja limitava-se a ser, com alguma frequência, a transmissão de comunicados ou a reprodução (quase) integral e sem qualquer espécie de tratamento jornalístico de documentos episcopais ou de homílias.
Com tiragens que, em muitos casos, ombreavam com os concorrentes laicos (uma média da ordem dos 5/6 mil exemplares por edição, mas ultrapassando, por vezes, ainda que raramente, os 10/12 mil), esses jornais [7] eram, sobretudo, vendidos por assinatura; maioritariamente dirigidos por padres (mais de 90 por cento), sendo padres também muitos dos chefes de redacção e administradores e eram raras (raríssimas mesmo) as redacções que contavam com qualquer presença feminina.
Opinião, mais do que notícias

“(…) no geral, esses artigos atenderem pouco à actualidade, muitos eram escritos numa linguagem proselitista, cometendo um “pecado” idêntico ao que condenavam nos outros, ou seja e de acordo com a opinião do professor e investigador José da Silva, ignorando alguma da inspiração cristã de que se reclamavam. Foto: © Ecclesia
Muitas dessas publicações recorriam com exagerada frequência a textos de opinião (uma forma “simplista” e barata de “preencher” o jornal, até porque, na generalidade, essas prosas não eram pagas), totalizando, no seu conjunto, uma média de quase um terço das páginas disponíveis, ou seja, um espaço superior ao dedicado às questões locais e regionais… Eram padres ou bispos eméritos a maioria desses articulistas, alguns dos quais distribuíam o mesmo texto por diferentes jornais.
Além de, no geral, esses artigos atenderem pouco à actualidade, muitos eram escritos numa linguagem proselitista, cometendo um “pecado” idêntico ao que condenavam nos outros, ou seja e de acordo com a opinião do professor e investigador José da Silva, ignorando alguma da inspiração cristã de que se reclamavam.
Convencidos da sua importância, a generalidade dos responsáveis por aqueles semanários pareciam mais preocupados com a apologética do que com o esclarecimento e tendiam a ignorar, com frequência, o princípio de que a inspiração cristã passa também (deve passar) pela informação e sua qualidade, sem a qual, aliás, jamais se poderá falar em verdadeiro jornalismo regional.
Com base no argumento do rigor, praticavam um certo hermetismo; falavam mais para os outros do que com os outros e evitavam o contraditório, sobretudo em relação à hierarquia. No dizer de António Marujo, “o pluralismo e a diversidade de opiniões”, tão elogiado “sobre matérias políticas e sociais”, contava pouco no noticiário sobre a Igreja.
Em geral, prestavam pouca atenção às técnicas jornalísticas e à linguagem gráfica, ignorando o facto de muitos dos consumidores serem pouco letrados e terem limitados hábitos de leitura.
Perante eventuais discordâncias, nem sempre respeitavam os limites que separam a agressividade da coragem, cometendo, com frequência, pecados idênticos aos que acusavam nos outros. E não tanto a nível de defesa de princípios, mas sobretudo no modo de defesa desses mesmos princípios.
Misturavam frequentemente notícia com opinião e cultivavam uma, por vezes, exagerada reverência em relação ao tratamento dado a algumas personalidades, sobretudo membros da hierarquia (em especial, da local). Ao tratar diferenciadamente as pessoas em “função dos títulos”, estavam a ignorar uma das regras base da escrita jornalística e a desrespeitar o princípio da “igual dignidade para todos”.
Apesar de serem propriedade da mesma Igreja e de visarem objectivos comuns, concorriam entre si, sendo quase inexistente qualquer espécie de cooperação entre eles (até para a compra conjunta de papel), consequência de um teimoso espírito de capela. Dito por outras palavras, faziam isoladamente o que não conseguiam fazer em conjunto, nem talvez alguma vez o tivessem realmente desejado.
Jornais regionais?

Mas como definir que publicações podemos considerar como regionais? De facto, não existe, entre nós, nem mesmo em termos legais, uma distinção entre o que, nos media, deve ser entendido por regional, local ou nacional. Assim, considera-se regional toda a publicação periódica que, de acordo com o estatuto dessa mesma Imprensa, dedica a maioria do espaço a “factos ou assuntos” culturais, sociais, religiosos, económicos e políticos, não depende de qualquer poder, incluindo o autárquico, e cobre, em termos noticiosos e de distribuição, uma comunidade habitada por pessoas que partilham valores, modos de vida e interesses comuns, ou seja e na práctica, gente que é vizinha.
Em relação à área geográfica, perante a inexistência de opções e na ausência de uma base de trabalho credível, opta-se pela divisão distrital ou território similar, no caso, a diocese, até porque, segundo Luís de França, o mundo das religiões é, a seguir à região natural, a segunda “vereda fundamental” na organização territorial.
Excluem-se, assim, revistas de cariz universitário ou cultural, como a Brotéria ou a Lumen, publicações doutrinárias, “fatimológicas” e “mariológicas” que, no final do século passado, somavam, no seu conjunto, mais de um terço da tiragem total da imprensa dita de inspiração cristã.
O mesmo se diz a propósito de publicações de índole missionária, como a Boa Nova e a Cruzada Missionária, ambas dos missionários da Boa Nova, a Além-Mar, dos Combonianos, a Miriam, dos Redentoristas, a Acção Missionária, dos Espiritanos ou de outras de natureza espiritual e formativa, com tiragens mensais que oscilavam entre as 12 mil e as cento e tal mil cópias, como, por exemplo, a Cruzada, ligada ao Apostolado da Oração, ou o Cavaleiro da Imaculada, dos Salesianos.
Ou seja, não são tidas em conta publicações de índole religiosa (de boletins paroquiais a revistas catequéticas); órgãos de congregações, institutos, ordens religiosas, associações, seminários, movimentos laicos ou jornais de periodicidade irregular, como o Notícias de Barroso, apesar de, no dizer provocador do seu director, o padre Fontes, ser “o jornal mais católico” de Portugal, já que “só sai quando Deus quer” …
De fora ficam igualmente publicações que, surgidas sobretudo a partir do Concílio Vaticano II, se constituíram, no dizer de Paulo Fontes, em caso paradigmático de passagem de uma postura confessional para outra de diálogo com o mundo. Além de não serem propriedade da Igreja, enquanto instituição, mas de sectores que pretendiam apenas testemunhar a sua “condição católica”, quase todas eram olhadas “de soslaio”, minimizadas ou até mesmo contestadas por destacados membros da hierarquia.
[1] Porque, na ocasião, presidia, na Assembleia da República, à Subcomissão para a Comunicação Social, para a qual tinha sido eleito por unanimidade dos partidos, fui um dos acusados, em jornais da Igreja e homilias, do pecado «de jacobinismo e de maçonaria», seja lá o que isso for…
[2] Pior que o Novidades só, talvez, A Voz, diário monárquico, fundado para «defender as ideias de Deus e Sua Igreja, da Pátria e da Ordem Social, cujo fundamento é a Família» ou o semanário A Ordem, editado no Porto e gerido por padres. Ambos acusaram D. António Ferreira Gomes de ter infligido «gravemente a Concordata e de servir de caudilho e bandeira à oposição, particularmente aos comunistas»
[3] Cito, como exemplo, os nomes de Cáceres Monteiro, Joaquim Letria, Beça Múrias, Afonso Praça, Almeida Martins, Silva Pinto, Daniel Ricardo, Joaquim Lobo, Cesário Borga, João Gomes, Fernando Dacosta, Manuela Alves, Antónia de Sousa, Carlos Gil, Fernando Cascais, Teresa Horta, Simeão Ramires (pseudónimo de Renato Boaventura), Albertino Antunes, Edite Soeiro, Regina Louro, etc., etc. Quase todos vieram a ocupar cargos de responsabilidade na Comunicação Social (em jornais, revistas, televisão, rádio e agências noticiosas), sendo que alguns vieram ainda a destacar-se no ensino, na investigação, no dirigismo sindical, em associações e, até, na actividade política.
[4] Subscrevo por inteiro estas afirmações, porque (estou a fazer uma quase declaração de interesses), apesar de ter iniciado a profissão na Flama, fui dos poucos jornalistas (o único?), que trabalhou nas três revistas em causa, tendo, inclusive, chefiado a redacção da Vida Mundial.
[5] De pouco valeu, no caso, a intervenção do Padre Moreira das Neves, chefe de redacção do Novidades, junto dos censores, invocando, inclusive, o texto da Concordata. Em causa, designadamente, o facto do Cardeal Cerejeira, classificando embora de «superior» a personalidade de Salazar, lhe ter atribuído um conjunto de «complexos» e de impulsos «fortes e contraditórios», de se ter referido a sua «sensibilidade feminina», de o ter acusado de possuir uma «ambição desmedida que nunca o deixou ser verdadeiramente feliz» e, ainda, de o ter referido como «o companheiro mais complexo» da sua geração coimbrã. A Censura não apreciou igualmente o facto de o Cardeal ter classificado de «incorrecta, no mínimo, deselegante» a atitude de Salazar, ao convidar Maria de Jesus Caetano Freire (a futura D. Maria), a acompanhá-lo na sua mudança para Lisboa, sem antes o informar. É que Maria de Jesus, então com 20 anos, sem saber o que era uma escola, nascida numa família pobre, mas muito «temente» a Deus, tinha ido, a convite de Cerejeira, tomar conta da Casa dos Grilos, em Coimbra, onde, tempos depois, Salazar passou também a viver.
[6] Quando foi conhecido o interesse da Sociedade Nacional de Sabões em entrar para o capital social da União Gráfica, visando o relançamento do Novidades, houve quem tivesse considerado que aquela era a Sociedade ideal para o efeito, já que o jornal só se salvaria com uma grande saponária.
[7] Correndo embora o risco de eventuais (e Injustos) esquecimentos, cito a Reconquista (diocese de Portalegre-Castelo Branco), a Voz Portucalense (Porto) o Mensageiro de Bragança, A Defesa (Évora), o Badaladas (Torres Vedras, Lisboa), O Almonda (Torres Novas, Santarém), o Jornal da Beira (Viseu), A Guarda, Notícias da Covilhã (Guarda), A Voz de Trás-os-Montes (Vila Real), Jornal de Almada (Setúbal), O Mensageiro (Leiria), Notícias de Viana, Notícias de Beja ou A Voz de Lamego.
Alexandre Manuel










