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Gaza. Crianças

Denúncia “desesperada” da Unicef

“Temos alimentos às portas de Gaza e as crianças estão a morrer à fome”

| 16/03/2024

‘Só em Rafah, a UNICEF calcula que estejam concentradas e confinadas mais de 600 mil crianças, “sem terem nenhum lugar seguro para ir” ‘ Foto © UNICEF/UNI521729/El Baba

 

No momento em que Israel aprova um plano para atacar a cidade de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, onde se aglomera perto de 1,5 milhão de pessoas, a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) alerta que a escalada das hostilidades já está a ter “um impacto catastrófico” nas crianças e nas famílias.

Num comunicado divulgado esta sexta-feira, aquela organização das Nações Unidas afirma que “as crianças estão a morrer a um ritmo alarmante – milhares de pessoas foram mortas e milhares ficaram feridas”.

A ONU calcula que 1,7 milhão de pessoas tenham sido forçadas a deixar os seus locais de habitação e a deslocar-se para o sul de Gaza, onde sofrem de crónica falta de a água, alimentos, combustível e medicamentos.

Só em Rafah, a Unicef calcula que estejam concentradas e confinadas mais de 600 mil crianças, “sem terem nenhum lugar seguro para ir”, já que as suas casas foram destruídas e, em muitos casos, as suas famílias dilaceradas.

No norte da Faixa de Gaza, uma em cada três crianças com menos de dois anos sofre de desnutrição aguda – mais do dobro da taxa (de 15,6 por cento) que se verificava em janeiro, ainda segundo dados da Unicef.

“A subnutrição entre as crianças – denuncia ainda a organização – está a espalhar-se rapidamente e a atingir níveis devastadores e sem precedentes. Pelo menos 23 crianças no Norte da Faixa de Gaza terão morrido de subnutrição e desidratação nas últimas semanas, aumentando o número crescente de crianças mortas na Faixa neste conflito actual – cerca de 13.450, segundo dados do Ministério da Saúde palestiniano”.

Recordando que, na guerra, “são as crianças quem sofre primeiro” e são também as que mais sofrem, a Unicef reitera princípios do direito humanitário internacional, segundo os quais “nenhuma criança deve ser mantida como refém ou usada de qualquer forma em conflitos armados”. E acrescenta: “Os hospitais e as escolas devem ser protegidos contra bombardeamentos e não devem ser utilizados para fins militares.”

“A velocidade com que esta catastrófica crise de desnutrição infantil em Gaza se desenrolou é chocante, especialmente quando a assistência desesperadamente necessária está disponível a poucos quilómetros de distância”, disse Catherine Russell, directora executiva da Unicef. “Tentámos repetidamente fornecer ajuda adicional e apelámos repetidamente para que os desafios de acesso que enfrentámos durante meses fossem resolvidos. Em vez disso, a situação das crianças piora a cada dia que passa. Os nossos esforços para fornecer ajuda vital estão a ser prejudicados por restrições desnecessárias, que estão a custar a vida às crianças”, alertou.

 

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