
Bispo Matthew Hassa Kukah, Nigéria.”É com profunda preocupação e justa indignação que observamos um aumento alarmante de aberrações durante o culto em toda a nossa nação, perpetradas por alguns dos nossos próprios padres”, disseram os membros da Conferência dos Bispos Católicos da Nigéria. Foto © TWITTERFoursquare Gospel Church @Bola Oguntade
Os membros da Conferência dos Bispos Católicos da Nigéria (CBCN) condenaram veementemente os abusos cometidos durante as celebrações litúrgicas na Nigéria, instando os padres e os bispos a tomarem “medidas imediatas” para restaurar a dignidade e a santidade do culto, noticiou a Catholic News Agency nesta segunda-feira, 19.
Numa declaração emitida a 15 de agosto, na solenidade da Assunção de Nossa Senhora, os membros da CBCN expressaram a sua preocupação com a tendência crescente de desvios das normas litúrgicas estabelecidas, alertando para o facto de tais práticas constituírem uma afronta direta à sacralidade da liturgia e uma fonte de escândalo no seio da Igreja, no seu entendimento. “É com profunda preocupação e justa indignação que observamos um aumento alarmante de aberrações durante o culto em toda a nossa nação, perpetradas por alguns dos nossos próprios padres”, disseram os bispos.
“Estes abusos incluem desvios das orações prescritas e das rubricas da Missa, incluindo a Oração Eucarística, o manuseamento irreverente da Eucaristia, o caminhar pelo corredor enquanto se transporta o ostensório durante a exposição do Santíssimo Sacramento, e a bênção do povo usando gestos semelhantes à aspersão de água benta”, acrescentaram.
Os bispos apontaram o uso de música inadequada, incluindo canções seculares na liturgia, bem como danças indecorosas, “mesmo com o ostensório contendo a Eucaristia”. Também condenaram o que chamam de “comercialização da liturgia” na forma de “aceitar muitas coletas e arrecadação de fundos no meio das celebrações litúrgicas”.
Outros “abusos” que os bispos mencionaram na sua declaração foram o uso do púlpito para perseguir interesses pessoais, a incorporação de costumes locais inconsistentes com a fé sob a égide da inculturação, o não uso de paramentos apropriados, a falta de preparação adequada para a celebração litúrgica e a “invenção de ritos” como a “dedicação de crianças”, em que os padres colocam uma criança no altar, e a bênção de objetos não aprovados pela Igreja como sacramentais.
“A liturgia não é um recreio privado para a inovação pessoal”
“Estas graves violações não são apenas uma afronta direta à santidade da liturgia, mas também uma fonte de escândalo e embaraço para a Igreja na Nigéria”, afirmaram os bispos. “Condenamos, com a maior veemência possível, todo e qualquer abuso na sagrada liturgia”.
“A liturgia não é um recreio privado para a inovação pessoal. Não é uma plataforma para a autoexpressão do celebrante. É um património sagrado, transmitido pela Igreja, que deve ser celebrado de acordo com as normas e tradições estabelecidas”, afirmaram.
Os bispos continuaram a dizer que “qualquer padre que tome a iniciativa de se desviar destas normas é culpado de uma grave traição do seu dever sagrado e está a desviar os fiéis”. “Tais ações não são meros erros de julgamento; são violações da ordem sagrada e devem ser tratadas como tal. Recordamos aos nossos sacerdotes que o altar não é um palco para o teatro, nem a liturgia um local para a novidade”, refere o comunicado.
“A Igreja deu-nos diretivas claras sobre a forma como a liturgia deve ser celebrada, e estas devem ser seguidas sem exceção”, afirmaram. “A fidelidade às leis da Igreja não é opcional — é obrigatória. Os fiéis merecem nada menos do que a celebração verdadeira e reverente dos mistérios da nossa fé”.
“Os fiéis esperam de vós a liderança, e é vosso dever sagrado assegurar que a liturgia na vossa diocese seja conduzida com a dignidade e a reverência que ela exige”, afirmaram.
A CBCN apelou aos bispos e sacerdotes para que trabalhem em conjunto e garantam que as diretivas sejam seguidas, pedindo um compromisso renovado para a celebração correta e fiel da liturgia, exortando todos os envolvidos a garantir que as celebrações litúrgicas reflitam a beleza, a ordem e a santidade pretendidas pela Igreja.
“A liturgia é uma antecipação do banquete celeste, um encontro sagrado com o divino, e deve ser sempre conduzida com a maior solenidade e reverência. Quaisquer ações que diminuam este encontro sagrado devem ser condenadas e corrigidas com a seriedade que merecem”, afirmaram os bispos.
Eles também estenderam a sua “sincera gratidão a todos os sacerdotes que, na sua celebração da liturgia, permanecem fiéis aos ensinamentos e tradições da Igreja”. “O vosso compromisso com a reverência, o decoro e a fidelidade defende a santidade do nosso culto e serve de exemplo brilhante para todos”, concluíram os bispos.




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