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D. Paulino, bispo de Cabo Verde, homenageado pelo Governo cabo-verdiano a título póstumo. Foto: Direitos reservados.
D. Paulino, bispo de Cabo Verde, foi homenageado pelo Governo cabo-verdiano a título póstumo. Foto: Direitos reservados.

Primeiro bispo natural das ilhas

Paulino Évora marcou “a história e a alma” de Cabo Verde e o Governo condecorou-o

| 29/06/2025

 

Paulino Livramento Évora, o primeiro bispo natural de Cabo Verde, que tomou posse da Diocese do arquipélago a 22 de junho de 1975 e foi uma voz atenta contra as situações de violações dos direitos humanos e da dignidade da pessoa humana durante o regime de partido único (que se estendeu por mais de 15 anos) recebeu, a título póstumo, o Primeiro Grau da Medalha de Mérito Altruísta, atribuída pelo Governo cabo-verdiano.

Os tempos da independência foram confusos e a Igreja foi muito flagelada, como descreveu Tony Neves, padre católico e missionário espiritano, num texto no 7MARGENS de março de 2020, notando que foi nesse período de transição que chegou a Cabo Verde, ido de Angola, D. Paulino Évora (que tinha sido ordenado em 1962, em Portugal).

Segundo Tony Neves, o bispo espiritano manteve sempre uma relação difícil e musculada com o Governo de partido único do PAICV, que governou de 5 de julho de 1975 a 13 de janeiro de 1991. “Lutou pela independência da Igreja, pela liberdade e pela democracia”, explicava então o padre Alberto Meireles, missionário em Cabo Verde. “D. Paulino só descansou quando viu o partido único a abrir-se à democracia, mas manteve-se sempre muito distanciado do poder político, por opção pastoral”, recordou o padre José Pires, seu amigo e confidente de longa data.

No despacho do Governo, em que se atribui o título, sublinha-se que Paulino Livramento Évora, “figura ímpar”, marcou “profundamente a história e a alma” de Cabo Verde. D. Paulino “foi protagonista incontornável na afirmação da presença e do papel da Igreja Católica na sociedade cabo-verdiana”, recordando-se “liderança pastoral firme e inspirada”, em que se registaram  “avanços notáveis na organização eclesial, no aumento significativo de vocações sacerdotais, religiosas e leigas, e no fortalecimento da ação evangelizadora em todas as ilhas do arquipélago”.

De acordo com o texto governamental, “o seu legado ultrapassa os limites da missão religiosa, estendendo-se à formação espiritual e moral de gerações de cabo-verdianos, à promoção de valores éticos e à consolidação de uma fé viva, encarnada nas realidades do país”.

Paulino Évora, que nasceu a 22 de junho de 1931 e morreu dias antes de completar 88 anos, a 16 de junho de 2019, foi um “cidadão empenhado, sempre com a mesma afabilidade, paciência e serenidade”, nas palavras do despacho assinado pelo primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva. “É de inteira justiça dar público testemunho das suas qualidades pessoais e do carácter excecional do contributo prestado ao longo de 34 anos de serviço episcopal, que marcaram profundamente a história da Igreja Católica em Cabo Verde.”

Este artigo teve o contributo de Lígia Fonseca, na Cidade da Praia (Cabo Verde).

 

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