Vivemos em sociedades em que o envelhecimento é olhado muitas vezes como um problema económico, tanto para os estados como para as famílias, de abandono e da quebra de laços que têm como consequência a destruição de redes de solidariedade e de suporte que foram apoio durante a vida ativa. Na verdade, o envelhecimento daqueles e daquelas que nos precederam põe à prova a nossa humanidade enquanto sociedade e enquanto indivíduos.
O 7MARGENS iniciou a publicação de depoimentos de idosos recolhidos por José Pires, psicólogo e sócio fundador da Cooperativa de Solidariedade Social “Os Amigos de Sempre”. Publicamos hoje o vigésimo depoimento do total de vinte e cinco. Pode ler aqui os depoimentos já publicados. Informamos que tanto o nome das pessoas como as fotografias que os ilustram são da inteira responsabilidade do 7MARGENS.

“O que acho mais importante é que esteja interessada no que se passa no mundo.” Foto © Georg Arthur Pflueger / Unsplash (alterada)
Manuela, 84 anos
A coisa mais importante para mim, como eu quero envelhecer, é estar lúcida, entender o que se passa. E também estar tranquila.
O que acho mais importante é que esteja interessada no que se passa no mundo.
Estar lúcida é mais importante do que estar, ou não, numa cadeira de rodas. Se eu estivesse em casa não sentia da mesma maneira porque aqui vejo já muita gente completamente desmiolada, sem memória e outras competências intelectuais. Há pessoas aqui que é como se já não estivessem. É pelas pessoas do Lar que eu sinto isso.
Não escolhi esta sorte. Tenho a felicidade…Sinto-me bem com esta cabeça.
O meu relacionamento com a família é bom. Estar aqui dá uma grande tranquilidade a todos.
Até me emociona pensar que eu tenho este privilégio e que outros não têm. Muita gente desejaria ter um Lar com esta qualidade.
O Lar ajudou-me a viver isto assim. Às vezes apetece-me ir para casa e não me aperceber dos problemas dos outros mas eu optei por viver aqui e não quero sair daqui… Já la vão seis anos… Foi a melhor opção que tomei.
Aqui temos um ambiente bom e sentimos muitas ajudas em tudo. Tenho o que preciso na saúde, na alimentação, na liberdade!
Está tudo organizado, desde o topo ao serviço dos utentes. As pessoas gostam do que fazem, o trabalho delas é muito útil.
Muitas das pessoas que aqui estão têm filhos extraordinários, sempre aqui, vêm aqui todos os dias….
Pensei que isto fosse um depósito, mas não é e até interagem connosco.










