
Maior andor da Senhora da Pena será transportado por 100 pessoas. Foto © Filipe Ribeiro
Chegam a atingir os 23 metros de altura e são considerados dos maiores de Portugal. Os andores da festa em honra de Nossa Senhora da Pena, na paróquia de Mouçós, concelho de Vila Real, serão erguidos este domingo, dia 8 de setembro, depois de no ano passado não terem acompanhado a procissão por questões climatéricas e de segurança.
A comissão organizadora, a cargo da aldeia de Sigarrosa, admite ao 7MONTES que “a comunidade está praticamente toda envolvida” na organização das festividades que iniciam já na próxima sexta-feira 6 de setembro. “Neste momento estamos a limar arestas, mas o programa já está fechado”, adianta Luísa Peniche, responsável pela comissão que investiu, nos últimos meses, “muita energia, garra e dedicação”. “Só assim se consegue organizar uma romaria desta dimensão”, acrescenta.
Todos os anos, no segundo domingo de setembro, a freguesia de Mouçós e Lamares celebra a Romaria da Senhora da Pena, palco de uma manifestação religiosa única e singular. A procissão é conhecida pela grandeza dos seus andores, que superam os 20 metros de altura, transportados aos ombros de 100 pessoas.
Nos últimos anos, a romaria tem sido alvo de um estudo com o objetivo de inscrever o Andor da Senhora da Pena no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial. O último contributo deste trabalho foi apresentado no passado sábado, em formato de livro.
O Andor da Senhora da Pena, História, Território e Identidade é o segundo livro que Vítor Nogueira apresenta por ocasião da tradicional romaria, que classifica o fenómeno religioso como “a manifestação mais expressiva da procissão e da festa homónimas que se realizam desde meados do século XVIII, na freguesia de Mouçós, (…) atraindo dezenas de milhares de romeiros.” A obra acrescenta à manifestação cultural e religiosa características etnográficas, sociológicas e antropológicas, analisadas ao longo de 85 páginas.
A vereadora da Cultura, Mara Minhava, informou, na mesma ocasião, que “o Município de Vila Real entendeu por bem inventariá-lo e estudá-lo, revisitando o passado, a identidade, privilegiando o respeito pelo território e pelas pessoas”.
A inscrição do Andor da Senhora da Pena no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial reveste-se, assim, de grande importância, não só porque “reconhece formalmente o valor cultural e histórico desta tradição (que faz parte da identidade coletiva da comunidade local), mas também porque atribui uma proteção legal que ajuda a preservar e a promover esta manifestação cultural para as gerações futuras.”
Hélder Afonso, que preside à União de Freguesias de Mouçós e Lamares, acrescenta por fim que “esta celebração não só reforça a fé religiosa, mas também fortalece a identidade cultural e a coesão social, ao envolver diversos segmentos da população na sua organização, com base na solidariedade entre os habitantes da freguesia.”
Texto publicado inicialmente no 7Montes.






