
Polícia bloqueou a entrada no Hotel Maiombe, em Cabinda. Foto: Direitos reservados.
A Amnistia Internacional (AI) denunciou a repressão de organizações da sociedade civil antes das eleições em Angola.
Segundo a organização de defesa de direitos humanos, em comunicado, as autoridades angolanas estão a reforçar o controlo sobre os direitos à liberdade de reunião e de associação pacífica, impedindo a realização de reuniões da sociedade civil antes das eleições gerais de agosto.
Entre os exemplos apontados pela AI, no dia 21 de maio, a polícia angolana impediu duas organizações não-governamentais (ONG), a Omunga e a Associação para Desenvolvimento da Cultura e Direitos Humanos, de realizarem uma “conferência sobre a construção da paz”.
No comunicado, a organização diz que a polícia bloqueou a entrada no Hotel Maiombe, em Cabinda, para impedir a entrada dos participantes, afirmando estar a seguir ordens dos seus superiores.
Para a AI, a crescente intolerância às críticas por parte das autoridades angolanas traduz-se pelo assédio e pela intimidação de ativistas.
De acordo com o diretor internacional para a África Oriental e Austral, Deprose Muchena, citado no comunicado, “o assédio e intimidação de ativistas e repressão de organizações da sociedade civil, que estão apenas exercendo seus direitos e tentando realizar uma conferência, é um desenvolvimento preocupante para os direitos humanos em Angola – especialmente antes das eleições de agosto”.
“Ao perseguir e intimidar os ativistas e impedir a realização desta conferência, as autoridades estão mostrando sua crescente intolerância às críticas. A repressão às organizações independentes da sociedade civil, o debate e as visões críticas sobre questões como economia e direitos humanos devem parar”, defendeu Deprose Muchena.
Para este responsável da AI, “o amordaçar desta conferência da sociedade civil é uma reminiscência de anos eleitorais anteriores, quando os direitos humanos foram repetidamente atacados. As autoridades angolanas devem parar de visar ativistas e grupos da sociedade civil e, em vez disso, respeitar, proteger e promover seus direitos humanos e fornecer um ambiente propício para que eles operem”.










