
Monge Khmer Krom. “O que realmente está em causa é o direito do povo Khmer Krom de praticar a sua religião, língua e cultura sem interferência do partido comunista no poder no Vietname.” Foto © Roun Ry, via New Naratif
Uma organização de defesa dos direitos humanos na Ásia acusa o Governo do Vietname de violar a liberdade religiosa, depois de um tribunal ter condenado à prisão esta semana, naquele país, seis monges budistas Khmer Krom e três ativistas religiosos.
O tribunal da província de Long An, no sul do Vietname, condenou os nove homens a penas de prisão de entre dois e seis anos, após considerá-los culpados de “abusar das liberdades democráticas para infringir os interesses do Estado”, de acordo com um comunicado da Polícia, citado pela agência Reuters.
Entre os detidos, encontra-se o monge budista Thach Chanh Da Ra, de 34 anos, que já havia estado preso em março deste ano. Desta vez, recebeu a pena de prisão mais longa, de seis anos, durante um julgamento que decorreu na terça-feira, 26 de novembro.
De acordo com a Polícia vietnamita, Thach Chanh Da Ra terá instruído os seus seguidores a deter e atacar ilegalmente as autoridades locais quando tentassem revistar o templo onde reside.
A Asia Human Rights and Labour Advocates (AHRLA) considera que as sentenças contra os monges são “ultrajantes e inaceitáveis”.
A comunidade indígena Khmer Krom, composta por quase 1,3 milhões de pessoas, que na sua maioria praticam o budismo Theravada, vive no delta do rio Mecom, região que antes correspondia ao sudeste do Camboja. Aquela que é uma das minorias mais expressivas no país tem vindo a ser objeto de discriminação no Vietname e de suspeita no Camboja, onde os seus elementos são frequentemente percebidos, não como cambojanos, mas como vietnamitas.
“O que realmente está em causa é o direito do povo Khmer Krom de praticar a sua religião, língua e cultura sem interferência do partido comunista no poder no Vietname”, disse o diretor da AHRLA, Phil Robertson, para quem as sentenças mostram que o Governo vietnamita é intolerante à liberdade de religião e crença fora de estruturas oficiais estritamente controladas.
“A comunidade internacional deve condenar publicamente essas flagrantes violações de direitos e exigir que esses monges e ativistas sejam imediatamente e incondicionalmente libertados”, apelou Robertson.
Contactado pela Reuters, o Ministério das Relações Exteriores do Vietname não respondeu aos pedidos de esclarecimento.
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