
População do Sudão do Sul ganhou a independência há dez anos, mas ainda sofre sem paz. Foto © Anita Kattakhuzy/Oxfam
Uma pequena delegação de bispos católicos no Sudão do Sul fez uma visita de cortesia ao presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir Mayardit, na semana passada para solicitar um lugar à mesa nas negociações formais de paz – um pedido que eles disseram ter recebido uma resposta positiva. A notícia é do Crux, que cita um artigo publicado na plataforma de comunicação formal da AMECEA, a Associação dos Membros das Conferências Episcopais da África Oriental, no qual o Arcebispo Stephen Ameyu Martin Mulla, de Juba disse que, “desde a assinatura do acordo de paz, nós, como bispos do Sudão do Sul, não tínhamos feito nenhuma visita ao presidente e pensamos que seria melhor fazê-lo e assegurar-lhe o nosso apoio ao processo de implementação da paz ”. “Pedimos a ele que incluísse alguns líderes religiosos no processo de negociação da paz, uma vez que nenhum de nós está envolvido e é necessário [que] nós também participemos”, disse Ameyu.
Ameyu foi acompanhado por D. Stephen Nyodho Ador Majwok, da diocese de Malakal, e pelo Bispo Emérito D. Paride Taban, da diocese de Torit. “Nada é melhor que ter paz e ver as armas silenciadas. Quando há paz, as pessoas têm oportunidade de viver normalmente e serem felizes”, afirmou D. Ameyu ao presidente, acrescentando que ” a oposição deve também procurar o Bem Comum das pessoas do Sudão do Sul que sofrem há tantos anos”.
O Sudão do Sul, o país mais jovem do mundo, acaba de celebrar o 10º aniversário da sua independência – em julho de 2011 -, um evento que prometia um novo futuro para as pessoas devastadas pela guerra, mas que só trouxe uma década atormentada por guerras, corrupção, violência e uma terrível crise humanitária.
As lutas internas pelo poder do governo já custaram a vida a cerca de 400 mil pessoas, com cerca de oito milhões de pessoas dependentes de ajuda, muitas das quais estão deslocadas. A Igreja Católica, através da Comunidade de Sant’Egidio, tem sido um parceiro ativo no processo de paz, e o próprio Papa Francisco tem-se empenhado pessoalmente. Ficou célebre o beijar dos pés, no Vaticano, do Santo Padre aos governantes do Sudão do Sul, mas a intervenção tem sido muito mais do que isso, tendo a comunidade Sant’Egídio promovido inúmeros encontros entre os vários intervenientes.
Os numerosos acordos de cessar-fogo fracassaram, mas em 2018 foi redigido um acordo de paz que em grande parte se manteve. Como parte desse acordo, os partidos adversários formaram um governo de coligação no ano passado, com Kiir e Riek Machar, o primeiro vice-presidente do Sudão do Sul e o líder da oposição, a fazerem mais uma tentativa de governar o país juntos. Assim, o principal grupo de oposição do país, que havia rejeitado o acordo de paz em novembro, anunciou a sua adesão a ele, aumentando as esperanças de que o acordo possa finalmente ser totalmente implementado.
Houve vários atrasos na implementação, em grande parte relacionados a divergências sobre aspectos técnicos, como o número de estados que o país terá e como lidar com a segurança. Mas, mesmo devagar, D. Ameyu referiu no mesmo encontro ao presidente Kiir que “será bom que o governo continue a implementar a paz, mesmo que seja a passo de tartaruga. pois terá um impacto positivo”.









