
Os bispos católicos norte-americanos estão, por estes dias, reunidos em assembleia plenária na cidade de Baltimore. Foto © USCCB
Há um cidadão nos Estados Unidos da América a quem os média chamam o “czar da fronteira”, que deveria estar, neste momento, com um problema de consciência. Chama-se Tom Homan, foi diretor interino do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA, no primeiro mandato de Donald Trump e acaba de ser nomeado pelo presidente eleito para executar uma política de “deportação em massa” dos imigrantes indocumentados daquele país.
Acontece que Homan, um ‘trumpista’ da linha dura, é dado como católico, e acontece que os bispos católicos, que estão, por estes dias, reunidos em assembleia plenária na cidade de Baltimore, acabam de dar sinais claros de ir defender os quase 12 milhões de imigrantes, caso as promessas de Trump se venham a concretizar.
A promessa de solidariedade foi feita publicamente pelo presidente da conferência dos bispos dos EUA (USCCB, na sigla em inglês), o arcebispo Timothy Broglio, no discurso de abertura da assembleia do outono, que teve início esta terça-feira, 12 de novembro, e se estende até ao próximo domingo.
Quem está à espera dessa clarificação sobre as medidas anunciadas pelo presidente eleito é o bispo da diocese de El Paso, Mark Seitz, actual presidente da comissão episcopal para as migrações. Segundo a agência Religion News Service, este responsável declarou, numa conferência de imprensa, que “aguardava para ver como a retórica da campanha de Trump se materializaria como política”. Entretanto, a conferência episcopal “defenderia os migrantes no caso de deportações em massa”.
Ao abrir a assembleia, o arcebispo Timothy Broglio não foi tão explícito, mas apontou na mesma direção. Recordando a passagem evangélica do juízo final, referiu-se ao imperativo de “ver Cristo nos mais necessitados”.
Na única passagem que mereceu um aplauso da assembleia, o responsável sublinhou: “Nós não encorajamos certamente a imigração ilegal, mas todos temos de nos apresentar perante o trono da graça e escutar Deus que pergunta se O vimos nos famintos, nos sedentos, nus, sem teto, estrangeiros ou doentes e se respondemos às suas necessidades”.
Na mesma linha, o responsável reconheceu que, uma vez ultrapassadas as eleições, “é difícil convencer as pessoas a trabalhar umas com as outras e a abraçar o bem comum”. Por isso, adiantou, urge “encorajá-las a trabalhar juntas, a escutar-se umas às outras, sem nunca esquecer, perante a discordância, que o outro foi criado à imagem e semelhança de Deus e é, portanto, merecedor de respeito”.
“Os cristãos devem tratar de curar as divisões na nossa sociedade, pela palavra, mas especialmente pelo exemplo”, observou ainda o arcebispo.
De acordo com estatísticas de julho de 2023 do Centro de Estudos de Migração, existem cerca de 11,7 milhões de imigrantes indocumentados nos EUA. Trump prometeu deportar todos os migrantes ilegalmente no país e disse que o plano, que foi criticado como financeiramente inviável, “não terá preço”.
Por sua vez, Tom Homan comentou, na última segunda-feira, dia 11, que a nova administração dará prioridade à deportação de imigrantes que constituam “ameaça à segurança pública e à segurança nacional”, acrescentando que aqueles que estão ilegalmente no país “não se deveriam sentir confortáveis”.









