
Foto: Bispos católicos reunidos em Auchi, Estado de Edo, para a sua segunda assembleia geral deste ano. © CISA
A Nigéria deve preparar-se para enfrentar mais protestos num futuro próximo se o governo não atacar seriamente e resolver as questões da pobreza generalizada, das dificuldades económicas e da corrupção. O alerta partiu dos bispos católicos reunidos em Auchi, Estado de Edo, para a sua segunda assembleia geral deste ano noticia o portal de notícias do Vaticano, numa peça assinada por Lisa Zengarini, publicada nesta terça-feira, 27 de agosto.
O alerta foi lançado no domingo, 25 de agosto, pelo presidente da Conferência dos Bispos Católicos da Nigéria (CBCN), Lucius Ugorji, arcebispo de Owerri, que apelou ao Presidente Bola Tinubu para reconsiderar as suas políticas económicas que “causaram insatisfação generalizada entre os nigerianos”. “Muitos nigerianos estão profundamente descontentes com as atuais políticas económicas”, pelo que seria de “considerar o regresso a um sistema regional de governo”, pois tal sistema “poderia ser mais eficaz na redução da corrupção e na abordagem das questões fundamentais que o atual sistema presidencial não conseguiu resolver”, adiantou o arcebispo Ugorji.
De acordo com notícia publicada esta quarta-feira, dia 28 de agosto, no sítio do Catolic Information Service for Africa (CISA) “o arcebispo Ugorji observou ainda que os problemas que a Nigéria enfrenta vão além daquilo que as políticas económicas por si só podem resolver”, tendo referido que “os desafios socioeconómicos que enfrentamos não podem ser resolvidos apenas pelas políticas económicas; há questões mais profundas em jogo que requerem uma abordagem abrangente que inclua reformas políticas e sociais”.
Nas últimas semanas, a Nigéria tem enfrentado protestos generalizados contra as reformas económicas do Presidente Tinubu para fazer face ao crescente peso da dívida pública e ao défice orçamental do país. Os protestos começaram no início de agosto sob a palavra de ordem #EndBadGovernance (fim à má governação) motivados pelo aumento dramático do custo de vida resultante de uma inflação galopante e da eliminação dos subsídios aos combustíveis.
Os protestos foram particularmente violentos em algumas zonas, sobretudo em Estados do Norte, como Kaduna, onde vários manifestantes foram mortos. O recolher obrigatório está em vigor em vários Estados, incluindo Kano e Plateau.
Ao comentar estes acontecimentos na abertura da assembleia, o arcebispo Ugorji condenou a violência de alguns desordeiros, mas também a morte de jovens em protesto pelas forças de segurança. “Enquanto a nação estiver flagelada pela pobreza, pelas dificuldades económicas e pela corrupção e enquanto o futuro dos jovens na nossa nação continuar a ser sombrio, continuaremos a assistir a protestos”, afirmou Ugorji.
Apesar da agitação, o Governo do Presidente Tinubu tem insistido que as reformas económicas são necessárias para o crescimento a longo prazo. No entanto, muitos nigerianos exigem um alívio imediato das pressões económicas que enfrentam. Os protestos suscitaram um intenso debate sobre os seus potenciais resultados. Alguns acreditam que podem conduzir a um diálogo significativo e a reformas que poderão aliviar as dificuldades económicas, enquanto outros receiam que a agitação possa desestabilizar ainda mais o país, piorando tanto a situação económica como a estabilidade política.
Tinubu, do Partido do Congresso de Todos os Progressistas (APC), sucedeu a Muhammadu Buhari, também do APC, após as controversas eleições de fevereiro de 2023, que muitos nigerianos esperavam trouxessem uma mudança de governação à maior democracia de África.









