
Sobretudo no norte do país, os rios caudalosos causaram a derrocada de casas e a destruição de infra-estruturas, obrigando quem vive nas margens a abandonar as habitações. Imagem obtida a partir de vídeo da BBC.
Calcula-se em mais de 30 milhões o número de habitantes do Paquistão afetados pelas cheias resultantes de chuvas torrenciais que terão, até este domingo, 28, destruído a vida a mais de um milhar de pessoas, 119 das quais apenas nas últimas 24 horas.
Sobretudo no norte do país, na montanhosa província de Khyber Pahktunkhwa, os rios caudalosos causaram a derrocada de casas e a destruição de infra-estruturas, obrigando quem vive nas margens a abandonar as habitações. As imagens distribuídas pelas agências mostram um hotel com mais de 150 quartos a cair e ser parcialmente arrastado pelas águas.
Em declarações à BBC, um funcionário do Ministério do Interior paquistanês disse que o país está desesperado em busca de apoio internacional. “O Paquistão tem lidado com questões económicas, mas agora, quando estávamos prestes a superá-las, o desastre das monções atingiu-nos”, disse ele.
O Papa manifestou este domingo solidariedade com o país devastado, enquanto vários países anunciaram a disponibilização de apoios e organizações não governamentais de socorro disseram estar a reafectar parte dos fundos para acudir a esta situação de emergência, considerada uma das mais graves da década no Paquistão.
O governo declarou estado de emergência na sexta-feira, 26, e mobilizou o exército para lidar com essa “catástrofe de magnitude rara”, como a ministra da Mudança Climática, Sherry Rehman, lhe chamou.
“Estamos neste momento no marco zero da linha de frente de eventos climáticos extremos, numa cascata implacável de ondas de calor, incêndios florestais, inundações repentinas, várias explosões de lagos glaciais, eventos de inundação e agora a monção monstruosa da década está a causar estragos incessantes em todo o país”, disse Sherry Rehman, numa mensagem em vídeo.
De acordo com a Autoridade Nacional de Gestão de Desastres (NDMA) do país, desde o início das monções em junho, as inundações devastaram mais de 80.000 hectares de plantações, destruíram 3.100 quilómetros de estradas e arrastaram 149 pontes.
A monção, fenómeno que ocorre por norma de junho a setembro, tem uma função vital no plano da irrigação e restabelecimento dos recursos hídricos, mas também acarreta riscos que são agravados pela combinação de fatores como o deficiente planeamento urbano, a corrupção e as alterações climáticas, entre outros.










