Vivemos em sociedades em que o envelhecimento é olhado muitas vezes como um problema económico, tanto para os estados como para as famílias, de abandono e da quebra de laços que têm como consequência a destruição de redes de solidariedade e de suporte que foram apoio durante a vida ativa. Na verdade, o envelhecimento daqueles e daquelas que nos precederam põe à prova a nossa humanidade enquanto sociedade e enquanto indivíduos.
O 7MARGENS iniciou a publicação de depoimentos de idosos recolhidos por José Pires, psicólogo e sócio fundador da Cooperativa de Solidariedade Social “Os Amigos de Sempre”. Publicamos hoje o vigésimo terceiro depoimento do total de vinte e cinco. Pode ler aqui os depoimentos já publicados. Informamos que tanto o nome das pessoas como as fotografias que os ilustram são da inteira responsabilidade do 7MARGENS.

“Quando se recebe um diagnóstico de cancro antes dos 40 anos, não se pensa muito em envelhecer, mas apenas em sobreviver.” Foto © Rachel Mc Dermott / Unsplash (transformada)
Gabriela, 48 anos
Quando se recebe um diagnóstico de cancro antes dos 40 anos, não se pensa muito em envelhecer, mas apenas em sobreviver.
Atingida essa meta, envelhecer começa a ser uma possibilidade, e um privilégio. Assim, envelhecer é bom e é algo que vai acontecendo, minuto a minuto. Envelhecer é viver o dia a dia, com o tempo e as capacidades que ainda temos, aceitando que algumas, e cada vez mais, se vão perdendo.
Como quero envelhecer? Continuando a viver, exercitando sempre que possível o corpo e a mente com o intuito de retardar a passagem do tempo, na expectativa de ir agarrando a lucidez e controlando as maleitas e dores físicas que vão surgindo.
E continuando a contar com a companhia de velhos e novos amigos, rezando para que, na família, os mais velhos se mantenham com saúde e possa ver os mais novos crescer bem e felizes.
Para além disto, nada mais consigo imaginar ou desejar, a não ser que o caminho que vier a percorrer me faça chegar até à morte sem pena de não poder continuar a viver.










