“Aqueles que estão a cometer genocídio em Gaza estão a usar a minha religião para legitimar os seus crimes indescritíveis. Temos de libertar a nossa fé desta instrumentalização”.
Quem o afirma é Leah Hadar, uma judia de 40 anos, de Telavive, que é uma ativista do movimento pacifista Save al-Makhrou, com cerca de 300 membros, que se constituiu através das redes sociais para apoiar e defender uma família da Cisjordânia cujas terras estão ameaçadas pela expansão dos colonatos judeus.
Conforme relatava há dias o jornal francês La Vie, a família em questão é franco-palestiniana, mas o coletivo que está a defendê-la tem uma natureza inter-religiosa, integrando membros judeus, cristãos e muçulmanos.
Leah Hadar dá conta do espírito que percorre o movimento, afirmando que “as três religiões estão ligadas, sobretudo nesta cidade [Telavive]”, pelo que — segundo a experiência vivida — judeus, muçulmanos e cristãos “podem viver juntos”. Para ela, este movimento é “uma resposta ao clima de ódio” e uma denúncia da “instrumentalização” da religião judaica, opondo-se “à expansão descontrolada dos colonatos”.
Quem congrega o movimento é Michelle, uma mulher de 54 anos, e sua filha Alice Kisiya, de 30, duas palestinianas cristãs. O seu caso ´´é defendido em tribunal por um rabi que não tem duvida em declarar que ele constitui “uma injustiça insuportável”.
Entretanto, com as atenções centradas sobretudo no genocídio e devastação de Gaza e, mais recentemente, no sul do Líbano, o avanço silencioso e, no dizer do escritor palestiniano Karim Kattan, radicado em França, “sem precedentes”, da expropriação e extorsão violenta de terras de famílias palestinianas tem passado para um plano secundário na atenção dos media. No entanto, cada passo dado representa o agravamento de uma situação de facto que ameaça a existência do Estado da Palestina, sem que se veja uma reação vigorosa da parte da comunidade internacional.
Foto de destaque: Vigília Inter-religiosa em Nova Iorque pela família Kissiya de Al Makhrour e todos os palestinianos que enfrentam a colonização das suas terras. Foto do Twitter de Sunita Viswanath.
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