Os budistas estão a celebrar o Vesak – tempo sagrado em que se comemora o nascimento, a iluminação e a morte de Buda, que neste ano se assinala esta segunda-feira, 12 de maio – e quer o Dicastério para o Diálogo Inter-religioso da Santa Sé quer o Conselho Mundial de Igrejas fizeram questão de dirigir mensagens aos seus “irmãos” desta tradição religiosa em festa. Em comum, um apelo: num mundo marcado por “injustiças, conflitos e incertezas sobre o futuro”, “caminhemos juntos”, para responder aos “desafios do nosso tempo”.
“Que o nosso amor e compaixão partilhados elevem aqueles que sofrem e levem esperança onde ela é mais necessária”, escreveu Jerry Pilay, secretário-geral do Conselho Mundial de Igrejas (órgão que representa 352 Igrejas cristãs de mais de 120 países). “Caminhemos juntos, cristãos e budistas, despertando na humanidade a força de nos abraçarmos de coração aberto”, continua.
Na sua mensagem, o pastor da Igreja Presbiteriana reconhece que “a vida do Buda, juntamente com os seus profundos ensinamentos, ilumina o caminho para a libertação do desejo e do sofrimento, e guia-nos em direção à sabedoria, à compaixão e à paz interior”. E pede “que este dia sagrado, que cai na lua cheia de maio, também conhecida como lua das flores, inspire e eleve a todos”.
“Guiados pelos ensinamentos de Jesus Cristo, que nos chama a amar uns aos outros e a trabalhar incansavelmente pela reconciliação, pelo perdão, pela misericórdia, pela simplicidade e pela renovação da vida em Cristo, nós, como cristãos, estendemos uma mão de amizade aos nossos irmãos e irmãs budistas”, sublinha.
Intitulada “Budistas e cristãos num diálogo de libertação para o nosso tempo”, a mensagem do Dicastério para o Diálogo Inter-religioso segue a mesma linha. “O diálogo que ocorre entre nós serve para comunicar os tesouros de nossas tradições religiosas e aproveitar a sua sabedoria para enfrentar os desafios urgentes de nosso tempo”, pode ler-se no texto assinado pelo prefeito do Dicastério, cardeal George Jacob Koovakad, e pelo secretário, monsenhor Indunil Janakaratne Kodithuwakku Kankanamalage.
O texto refere-se frequentemente à Nostra Aetate , a Declaração do Concílio Vaticano II sobre a relação da Igreja Católica com as religiões não cristãs, que cumpre 60 anos após a sua publicação. Recordando que, tal como no tempo da Nostra Aetate, o mundo está marcado por “injustiças, conflitos e incertezas sobre o futuro”, o organismo da Santa Sé assegura que há uma “profunda capacidade” das religiões de fornecer respostas significativas.
“No nosso tempo, marcado por divisões, conflitos e sofrimentos, reconhecemos a necessidade urgente de um diálogo libertador, que não se limite às palavras, mas seja capaz de traduzi-las em ações concretas pela paz, pela justiça e pela dignidade de todos”, destaca a mensagem.
O diálogo e o anseio pela fraternidade impelem, assim, a “lutar pela unidade e pelo amor entre todos os povos e nações, convidando-nos a construir sobre o nosso terreno comum, a valorizar as nossas diferenças e a tirar enriquecimento mútuo das nossas diferentes tradições”. Que através do diálogo, “as nossas respectivas tradições – pedem no final da mensagem – possam oferecer respostas dignas aos desafios do nosso tempo”.










