Cristãos mobilizam-se em Portugal pelo clima

e | 20 Set 19

Vários grupos de cristãos promovem iniciativas pelo clima, no memso dia da greve estudantil. Foto: Direitos reservados.

 

Em dia de greve estudantil pelo clima, vários grupos de jovens cristãos mobilizam-se, em Portugal, com iniciativas concretas de apoio ou paralelas à iniciativa. “A principal intenção é rezar”, uma outra forma, além das manifestações, de colocar na agenda pessoal a questão climática, afirma Beatriz Lisboa, justificando a sua participação na “Oração pela Criação”. A inciativa organizada pelas irmãs Escravas do Sagrado Coração de Jesus e pelo grupo Geração Laudato Si’, pretende colocar em prática os princípios da encíclica do Papa dedicada ao ambiente e ao “cuidado da casa comum”. É uma outra maneira de, ao nível pessoal, contribuir para a mudança, sensibilizando e consciencializando as pessoas, admite. A iniciativa terá lugar nesta sexta-feira, 20, às 19h, e de novo na sexta, 27, à mesma hora, na Igreja de Nossa Senhora da Conceição (ao Largo do Rato), em Lisboa.

“É uma resposta à guerra contra as alterações climáticas que já começou pelo mundo, afirma Beatriz, 23 anos, que tem repartido o tempo entre a animação do centro dos jesuítas em Lisboa e o curso universitário (para segundo plano ficou, para já, a dança). Cada ação, sejam as manifestações ou a oração, podem ter consequências pedagógicas ao nível pessoal, encorajando as pessoas a mudar os seus comportamentos. Iniciativas como a oração de sexta-feira procuram, em princípio, trazer problemas como este para o topo, com a oração servindo de paralelo à reflexão e diálogo entre os participantes.

“É também uma iniciativa bastante diferente” daquelas que tem havido, afirma Beatriz Lisboa. Na oração, podem eventualmente vir a participar vários grupos, tal como tem acontecido nas manifestações. E Beatriz espera que a oração seja simplesmente uma possibilidade de rezar.

Neste sábado, será a vez do Grupo Ecuménico Jovem (GEJ), do Porto, organizar a ação Salvar os Oceanos, que pretende sensibilizar adultos e crianças para a necessidade de contribuir para a limpeza dos mares, atacados por ilhas de plástico, temperaturas recordes e glaciares a separar-se. A ação, com o apoio da Surf Church Porto, da Carta da Terra Internacional, A Rocha, Green Anglicans e Fundação Oceano Azul, está na sua segunda edição e será animada por Júlio Gaspar Reis, de A Rocha Internacional.

Os participantes irão limpar a praia Internacional do Porto (junto ao Edifício Transparente), a partir das 14h. “Tudo nos chama a unirmo-nos e colocarmos as nossas mãos e braços na defesa e conservação desta que é a Criação de Deus”, dizem os organizadores, em comunicado público.

Também no sábado, mas entre as 11h e as 18h30, no Linhó (Sintra), a rede Cuidar da Casa Comum organiza o encontro Também Somos Terra, cujo objetivo é partilhar e promover atitudes e iniciativas em favor da alteração de comportamentos. O encontro pretende também juntar à opção ambiental a identidade crente que “é uma nota muito importante, fundamental”, como dizia o professor universitário Juan Ambrósio, em declarações à Ecclesia.

“Estávamos habituados a ver a perspetiva e a identidade crente muito ligadas a questões mais do âmbito do estritamente moral, ou seja, a condutas morais comportamentais que deixavam um bocadinho de lado a questão ecológica, o cuidado da casa comum”, afirmou o responsável da rede, alertando que o tempo para mudar atitudes se está a “esgotar completamente”.

“O problema é que o não cuidar da casa comum vai afetar em primeira mão os mais desfavorecidos, os mais frágeis, os mais pobres; cuidar da ecologia, cuidar do ambiente, cuidar desta casa é cuidar de todos os que fazem parte desta rede viva”, acrescenta Juan Ambrósio sobre a iniciativa que decorre na Casa de Espiritualidade das Irmãs Doroteias.

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